segunda-feira, 16 de novembro de 2015

As noites e os dias assassinos




No final de mais 
um dia,
lá vem sempre o mesmo 
infindável ensanguentado
caminho...
As estrelas lá nem 
se reflectem...
Mergulho as minhas mãos,
tento lavar o meu rosto...
Não me apercebo
que é de lá a fonte,...
nos narcisos escondidos 
atrás dos meus olhos.
...
Aproveito enquanto a escrita
é perceptível não alcoólica
e as palavras
não se afogam no papel.
... Há um vazio
entre as sombras e o ferro...
... Sentados os cadáveres muitos.
... Um lodo
bigornas de enterridade!


Num interior
com paredes, chão e tecto
identificamos melhor a nossa solidão
nada comparada a um caixão...
Num interior
se faz a festa... 
Poderia ser na chuva mas
no interior... 
se faz a 
chuva!
...
... Não quis ver o desespero das ruas
O estômago irrompe por dentro.
A mão em espátula vasculha-o
ou enterra-se por entre
as vértebras... 
deixam
penetrar em lança...
- Só mais uma - disse-lhe- só mais uma...
... uma só estaca no coração!...
Interroriedade
... A chuva não inverte; ...
não há caminho 
de onde cai... !
... Disparados à espera
no que não iam encontrar!
... Cada vez é mais longo o caminho
para aqui chegar...
E com a chuva limpo os 
lábios...
Invólucros de miséria 
esbatem-se sobre o chão
Os olhos não faiscam!
Inacreditável como, só agora,
acordaram no homicídio...
Não se fazem assim, hoje,
as noites e os dias 
assassinos?!