quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

A Besta




As guilhotinas giram 
Numa bênção agarrada ao mármore 
Todas as condenadas páginas contra a parede 
Por abrir num perpétuo ar pesado 

O não sentir 
O não sentir 
Sentido nenhum 
Num atrás de algo 
Tudo dorme e possível 
... ( aquelas janelas ópticas 
{Quebradas}) 
... Abomináveis 
... Dormem...

Inevitabilidade



Há-de chagar sim, o inevitável!
Todos os invólucros das noites 
E dos dias. Pensas em tão quanta
Afamada solidão, sim, porque lá
No fundo partiremos sozinhos...
Cruamente com ou sem ruletas
Tenham elas qualquer nome
Ou apelidos, ruas, ... não ! Mas pensaste-te
Divino?! Morreste e ninguém se vai
Lembrar de ti daqui a alguns anos
É só uma vaidade de dizeres que sofres
E de que estás vivo... com ou sem pena
Pode ou é uma desculpa para o decrépito
Adiantado, adiado. Coitadinho tão nova
Tâo novo! Não são assim as madeiras
Comprensadas,embalsamadas antes 
De beijarem a terra? Pelo menos que me
Sepultem num mar onde a madeira 
Nunca apodrece e inviolável seja o seio
Do sol lá longe!

Deus Chorou




Um caminho de vidros
Sem lembrança onde não
Repousa inócuo nevoeiro

Levo as moedas aos olhos

Parece-me que por onde pouso as mãos
, caminho... Tudo arde à minha volta!

O céu escorre pelas nuvens! 

Deus chorou!