sexta-feira, 21 de maio de 1999

A Caverna




Saí da caverna para outra caverna
e a caverna onde entrei, é outra caverna
cheia de labirintos, outra mais enfeitada de exterior
outra de palavras e de história e de crítica.
Outra enfeitada de lagarta que se desloca
sobre carris com a força da electricidade
onde, constantemente, saem pessoas e entram pessoas
e todas as outras cavernas estão enfeitadas
caras tristes, caras felizes, caras pensantes
caras distraídas; outras com uma garrafa de cerveja
na mão às 16:20 da tarde e penso:
- Como se deve ser triste pensando que se é
diferente dos outros.
Sim mas não passa de um pensamento,
de um eco numa caverna
e as pessoas olham com admiração
porque a mesma pessoa da garrafa de cerveja
possuí, não uma garrafa mas três bolas,
com que se entretém dentro de uma e outra
e mais outra e mais outra caverna.

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