segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"E a morte passa de boca em boca com a leve saliva"




Duas juventudes
sentadas paralelamente
espiando a areia
esvaída,
qual delas a mais funesta?
Brindando ao Outono
com a chuva na cara
e estaladas de folhas
caídas.
Sopra ao perto a vida ida.
Sopra ao longe a vida por vir
na cinza consumida sofregamente
pelos lábios em sal
derretida.
Contemplamos a luz de uma estrela finda
que só agora chega até nós...
Não a vemos;
as nuvens personificam o seu véu,
uma mortalha,
um corpo...
sem o vermos.

Quase te mato com uma caneta em punho




As luzes ao longe
cintilam,
parece que ardem;
velas obscurecidas
cineticamente
alimentadas
pela minha voz em
silêncio...
trémulas...,
frágeis...,
quase se apagam
com o não pestanejar constante.

Vou-te sepultar...
naquela cova funda...
chamada rio...

Quase Te mato
com uma caneta em punho!...

Violento-te no roçar
do bico contra o(a) pa(pe)l(e);
escuta-se...
o seu ritmo,
é o bater das ondas ao longe...
crava;tatua!
carne obliterada.
rocha delicerada.

Quase...
Te...
mato...

Com uma caneta em punho...
Cheia de promessas,
esvaindo...
esvaindo...
até ficar sem vida.

Vou-me esconder e deixar o meu corpo
para ver quem o leva!
Vão-o sepultar naquela
cova funda
chamada
rio!