quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Manhã Sangrenta





Tu sangras
Eu remexo a terra.

Eu choro
e tu não morres.

Fiz do teu nome
uma campa por baixo
com pedras
e pétalas.

Lavro as minhas mãos em vidro
e ainda não
amanheceu.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Vem Amor




Vem amor que agora amor já não o é.

Vem amor porque agora a nós
já não nos pertence o espaço e o tempo,...
abandonámo-lo, desalojámo-lo.
Arrancámos dos nossos corpos as palavras,
lembranças harpas partidas.
Demos as mãos e com a morte
caminhámos à beira do precipício.

Vem amor,vem velozmente ambígua
deitar-me a teu lado
e adormeceres-me
com suspiros devastadores.

Vem amor porque já nada resta,
tenho o rasto de caudais secos,
no semblante.

Vem pelo amanhecer
em labaredas de morte
embriagar-me com a luz
caociosamente iluminadora.

Vem amor dançar pelas ruínas
que deixámos à nossa volta,
reacender os fogos
magnanimamente extintos.

Vem amor porque amor agora já não o é.
Vem...
porque ,...
nada mais
há para destruir.

Cemitério da lembrança




Este é o lugar em que invisivelmente te dou a mão.
Estas são as árvores que contemplamos sem olhar
e as ruas que preenchemos com o nosso volume
inexistente.
Não te digo adeus!
Reprimo as palavras que não tenho para te dizer.
As lágrimas,essas,não as consigo chorar.
Este é o lugar em que o frio me desperta
e a tua ausência me ensombra.
Enluto-me com o veú da noite e confundo-me.
Este é o lugar do não adeus
e do não esquecimento.
Cada folha transpira a tua presença.
Este é o lugar em que não há território
para a memória.
Este é o cemitério da lembrança.