Vem amor que agora amor já não o é.
Vem amor porque agora a nós
já não nos pertence o espaço e o tempo,...
abandonámo-lo, desalojámo-lo.
Arrancámos dos nossos corpos as palavras,
lembranças harpas partidas.
Demos as mãos e com a morte
caminhámos à beira do precipício.
Vem amor,vem velozmente ambígua
deitar-me a teu lado
e adormeceres-me
com suspiros devastadores.
Vem amor porque já nada resta,
tenho o rasto de caudais secos,
no semblante.
Vem pelo amanhecer
em labaredas de morte
embriagar-me com a luz
caociosamente iluminadora.
Vem amor dançar pelas ruínas
que deixámos à nossa volta,
reacender os fogos
magnanimamente extintos.
Vem amor porque amor agora já não o é.
Vem...
porque ,...
nada mais
há para destruir.