quinta-feira, 29 de março de 2012

Areia





Sabes o que é mais
triste minha(meu) irmã(o)...
partes de ondas
se foram,
parte de sereias
vieram,
como nos diziam
em crianças...
espumas
idas...
Um reflexo inóspito
entre os dedos
que nos foge
em cada palpitar
da lua...
Imperceptível...
como tudo!
No grito que não demos,
contido.
No debater
da areia,
na areia,
para que ela
fique concreta
com os punhos...
Assim
a atirei ao ar
para que a levasse
o vento
e à minha cara veio
ter,
imaculada,
separada
com os pés;
em cada meresia
pegadas
destruídas!
Queriam respirar,
espectroscupar,
num suspiro marítimo,
nosso!

quarta-feira, 28 de março de 2012

Amanhece





Em cada
novo
amanhecer...
o mesmo oceano
de lágrimas,,,!
Apodreço
com toda esta
nauseabundade,...
emagreço!
Depenico
as migalhas
da minha miséria,
acendo velas e
incensos para
me consumir,
dissecar,
confundir
e mesmo assim
o cheiro do chão,
o chão dos outros
me é
imundo!!!!!!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Medo




Eles espreitam,
as folhas dos jornais
esvoaçam,
o chão prende-nos
ao medo
e as palavras
línguas...
lambem-no!!!!

terça-feira, 13 de março de 2012

Água





Vou guardar as minhas
lágrimas
numa garrafa...
transbordá-la
para que não flutue!
Juntar-lhe veneno
e
bebê-la!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sede




não vale mesmo a pena
chorar
sobre o leite
derramado...

...isto não tem nada a haver com leite ,
 mas com sangue!
Tudo o que eles
querem
é o seu sangue
invertido
para dentro
dos seus próprios 
corpos.

ah!!!!
como eu sei
que todo aquele sangue
não chegaria
para me matar
a sede !
e todo esse sangue
não chegaria para me afogar!

sangue,
 sangue
...sede de morte!...

Os meus lábios
tocaram
os teus
e!...
...estavam...
...gélidos...

Caixão




Vou ter de te apagar
até à
profundidade
em que o coração
não bata!

Vou ter de...
te...
encerrar...
num caixão!
Só quero que pare
de doer.
Só quero que pare
de bater.

terça-feira, 6 de março de 2012

Aresta Floresta Funesta Opus II




"‎...e lamuria-se a terra humedecida
pela chuva de passos trocados pelo tempo...! "
quase como arrastados
pela terra em enxurradas...
devastadoras...
"arrastados sem causa,
ao acaso...
numa razão
desconhecida!"
como uma lágrima indefinida,
derramada.
"...sobre perda pelo gosto de amar..."
um casco de barco
abrindo feridas na àgua...
o que fica para trás é
ondulação!
"levo
comigo
o coração
massacrado
em
Seu
nome"
em farrapos
encrostados
arames
farpados!!!!

Aresta Floresta Funesta




Aresta
Floresta
Funesta
contra o céu!
No rio reflectem-se
os sálpicos de chuva
e as sombras
não absorvidas.
O rio,o céu,
as pessoas são as almofadas
onde repousam
os meus
olhos
e a terra 
onde apodrece 
o meu corpo.
Os ramos das àrvores
nús,hostilizados pelo vento
ao contrário,
são os farrapos
enterrados
abandonados 
pelo tempo.