segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Aquiles





Arde Tróia
Cogito ergo sum,
tu e tu, dia-a-dia,
espada justiceira
desaparece nessa neblina
gota a gota 
e ir mais longe
construir todo um nevoeiro.
Ódin.


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A menina que se suicidou que não queria cantar fado...

A menina que se suicidou
que não queria cantar fado...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
De muito cedo a obrigava a ir às tascas do fado... Em
horas incertas recordava o barco em chamas... Depois
... de há pouco tempo se te ter despedido...
... O lenço branco na sua mão..., Folando o ar das gaivotas...
Inertes no ar pairando às labaredas...
...
Que nem seus ais
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
É fado as lajes da casa de banho onde
perdeu a voz e a vontade... A vontade
que não tinha de agradar o seu pai de cantar...
Cantar o fado...
...
Que nem seus ais
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
Quis o destino que uma fuga de gás, do paquete Camões,
para onde iria durante seis meses como copeira, ganhar
oito vezes o ordenado mínimo...
...
De quem ficou de luto
e não amanhece
e a noite se entristece...
... Tão cedo...
Tão...
A morte forjou em vão.
...
...
No horizonte crepitavam as estrelas findas,
fogo artifício bureal só visto às portas do norte.
...
... Tão cedo a morte
a forjou em vão...
...
Para não teres que te afundar como a tua mãe,
para que saúde não te falte...
Boa voz tens... Encantos desencantas a morte!!!
Fome não passarás e quem sabe,
encontrarás o teu fado!?...
...
Nem amanhece
e nem a noite...
A noite se enternece!...
Tão cedo...
Tão...
A morte a forjou em vão.
...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
A menina que se suicidou
que não queria cantar fado...

O órfão de água!




Os movimentos precisos
de todos os nasceres do Sol!

Barcos de papel no rio
que queriam ser olhos... !

Terras e fogos.

O órfão de água!

O órfão de água...
de sal!

Espero não ser só mais
uma sepultura na tua cama,
um cemitério na tua mente.

A festa de animais :

- Comes connosco?!..

Se fura canos
mata-ratos!

As cruzes amanheceres
deslizam pelas suas
próprias lágrimas
de um céu sofrido...

Assim vou partir
um dia , eu sei,
em silhuetas cinzentas!
Todas as flores foram
pisadas e tornadas...
Carnívoras...

Até que o céu seja
criado muitas estrelas
terão sido mortas.