quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A menina que se suicidou que não queria cantar fado...

A menina que se suicidou
que não queria cantar fado...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
De muito cedo a obrigava a ir às tascas do fado... Em
horas incertas recordava o barco em chamas... Depois
... de há pouco tempo se te ter despedido...
... O lenço branco na sua mão..., Folando o ar das gaivotas...
Inertes no ar pairando às labaredas...
...
Que nem seus ais
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
É fado as lajes da casa de banho onde
perdeu a voz e a vontade... A vontade
que não tinha de agradar o seu pai de cantar...
Cantar o fado...
...
Que nem seus ais
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
Quis o destino que uma fuga de gás, do paquete Camões,
para onde iria durante seis meses como copeira, ganhar
oito vezes o ordenado mínimo...
...
De quem ficou de luto
e não amanhece
e a noite se entristece...
... Tão cedo...
Tão...
A morte forjou em vão.
...
...
No horizonte crepitavam as estrelas findas,
fogo artifício bureal só visto às portas do norte.
...
... Tão cedo a morte
a forjou em vão...
...
Para não teres que te afundar como a tua mãe,
para que saúde não te falte...
Boa voz tens... Encantos desencantas a morte!!!
Fome não passarás e quem sabe,
encontrarás o teu fado!?...
...
Nem amanhece
e nem a noite...
A noite se enternece!...
Tão cedo...
Tão...
A morte a forjou em vão.
...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
A menina que se suicidou
que não queria cantar fado...

Sem comentários:

Enviar um comentário