quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

roma




Os corpos estão 
gastos e velhos.
Os dias e as glórias
de as noites de ontem...

Revezar os esqueletos 
pendurados no guarda-fatos.

Encher a ampulheta 
de tempestades nas pupilas 
esventrados à areia.

O corpo erecto
espantalha um caminho inexistente
despido de Inverno.

...

Estamos tão longe
de roma.

Down we follow... Ways of sorrow...




Range...

Molhar o sangue
na ponta da pena...

Encarar o fenómeno...
Não se anseia ao que não se quer.

Paz!
Mantra e uma ou duas garrafas
de vinho
Dependurado
há quem aguarde a morte...
Esquecidos nos olhos fechados.

Sentados, de costas para o rio,
sem sabermos a sua profundidade.
Aqui tão perto, parece um vale negro.
Sentamo-nos.
Nem ele conhece a nossa profundidade.

Vagar
que os olhos nada perpectuam.

Desenhar
invólucros balas
nos dedos... Gatilhá-los
na ponta da pena,
pólvora papel.

A tristeza encerra-se 
no interior.
Escondida...
...
No dia que o precipício
conheceu os nossos 
nomes.

Down we follow...
Ways of sorrow...

Negrume do Condomínio





Rebolam cabeças
de prostituição
no negrume do
condomínio...

Velhas carcaças
dormem; ...
a vida não lhes foi
suficiente...

Morrem pombos e crias
nas chaminés

Pactos elaborados
nos elevadores
e na electricidade 
que não é paga;
a poeira à entrada,
nos pés, o que não é varrido
e varridos se sentam
à fechadura que não se
abre...

As radiografias
transportadas no sobe
e desce do vai e vem
do sol e nas sombras
à porta.

Ao lado, abafados gritos
audíveis
de uma educação desmesurada
demasiada judaico-cristã:

- Pobre pequena! ...
Ainda não foi exorcizada...

O jardim selvagem
cresce, laranja sol a menos
muito mais nove luas,
cinzas repousam, 
não é cuidado... ;
tal o azedume entre duas
uma que pagou para o ser
ceifado.

Do lado da janela
para fora,
caiu, cai um corpo
em cascata.
Sobrepõe-se em ondas
pelas paredes do cemitério.

Descem de lá os ecos
do arco pelas
cordas da pele.

Os vermes esperam
no poço 
nas cambalhotas contra
a parede.
...
As horas esvaem-se...
Não há um mapa para
xizes ou cruzes...
É tudo comum
valado para os alicerces
derrotados...

Vou voltar
para o sítio onde estava,
com cuidado, 
para não vomitar os pés.

Quem disse?! ... Que há vazio?




As ruas não estão vazias.
Estão preenchidas de tudo
o que se glorifica, aglomera....
O que pende edificado
ou não em escombros .

O caminho é pedra.
A terra há muito foi esquecida...
O mármore colado à pele 
bisturi ao sanguimento das palavras...

Quem disse?!
... Que há vazio?

Por algum lado drena.
Os caixões afundados
nos prantos confundidos
ao que tudo foi e suporta...
A melancólica oxidação
do musgo a logaritimizar-se
...
A madeira não apodrece
quando repleta.
Crescem as ranhuras incolores
as unhas onde a luz não chega
...
Os candeeiros
seguem uma correnteza
pobre, assim como os números
a descer para o rio.

Que há vazio...
Quem disse?!...