segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Horizonte





Mas porque razão
se mexe assim o teu corpo
sem música?

...olho-te naquela fotografia
amarelada,
apodrecida,
que nem o tempo
conseguiu aniquilar
a tua imagem.
...
Quando no abismo
caí,
durmo com todo o peso
do mundo.

Aguardo-te!...

Aguardo-te!
...para com os teus cabelos
limpar as minhas lágrimas.

Amo cada silêncio
no intervalo
de um mo(vi)mento
teu!
Não há vento
que apague a chama
com que hipnoticamente,
tu o clamas!

Sabes quando andas para trás?
...a corrente está forte!

Mexo os meus braços
como se fossem o silvar
das cobras...
um livro antiquíssimo...
abandonado...

Não sabes que direcção sopra!
Labaredas nos pés...
- Vou calçá-las!

Os abutres estão sempre
desesperados,
cortinas ignoradas
pela luz!
tantas ausências
sozinhas

Colho os pétalas
que as sombras
pisam!

Deixa-te estar
de costas
contras as àrvores...
Os dois lados do espelho,
eventualidades asas.

Parece que vim de um funeral
com as flores à garganta.
É tão triste a tua derrota,
querido coração...
Porque ainda bates tu?...

Achas que as tuas mãos
não dominam a força?
Elas que sorriem à delicadeza
de uma pele?!

As palavras são sons
antagónicas que nos fazem
estremecer no seu eco.

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