segunda-feira, 22 de setembro de 2014
A Sangue
Um dia acabou-se-me
a tinta e cortei as digitais...
A sangue escrevi.
Quando se me acabou
o papel usei a minha própria pele
com o sangue.
No fim
já não havia nem pele
nem sangue...
Restaram-me os lábios...
para soletrar em silêncio
o som da escuridão.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Devias experimentar os punhos contra uma parede,... e a cabeça...
Devias experimentar
os punhos contra uma parede,...
e a cabeça...
Um verso que nos engole
para dentro...
Espalmo uma orla de morcegos
contra o pulso. Será negro?
Será vermelho?...
No côncavo do ante-braço
há um vale de sepulcros
lavrado em lágrimas e saliva.
O coração palpita com
uma cadência doentia de estar vivo.
Estremece o chão por baixo
em rodas dentadas.
Pelos pulsos que se quebraram
não se demoram os olhos.
As mãos arderam no escuro caminho.
Um coração em pétalas...
...definha...
...caem...
Haviam orlas nos bosques perfumadas pela luz que demorava ao olfacto...
Haviam orlas nos
bosques
perfumadas pela luz
que demorava ao
olfacto... Ali
abandonaste o meu
corpo. Uma Babilónia
de grãos e
de terra, sementes que
voaram sobre a
pele, folhas oxidadas
pelas
estações, raízes que
que fermentaram nos
poros, excrementos
e incêndios... Ali
abandonaste o meu
corpo a todas as
línguas
irreconhecíveis... Onde
já nem os meus
dedos podiam ser
entrelaçados. Lá onde
a podridão perdeu o
seu próprio nome
na boca.
Todo o sangue
pariu!!!!! O corpo é
uma linguagem
árida. Chove
na despedida.
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