quarta-feira, 8 de abril de 2015
Talvez respeitem as amarguradas águas de Abril
Talvez respeitem as amarguradas
águas de Abril...
Talvez respeites... sob debaixo
de um dorso indomável ,
assim, são de ausência e de pó
o que às portas do que ainda resta,
de quando me abandonaste num Inverno.
Tive tantos mestres...
Resta-me chorar-lhes as partidas
ao fundo da rua num reflexo negro
do rio, onde não se espelha o dia.
Esquece-me!
Todas essas lágrimas
foram dores de um parto
de uma sangrenta manhã amordaçada,
em que te vias em toda a luz singela,
de um parir de uma estrela donzelo!
Mas vá, esquece-me!
Esquece-me!
O romper das águas é mais atroz
assim que o vento se põe.
As lágrimas já não têm olhos,
nem morada... nem céu...
... De quando me abandonaste num Inverno...
Encravo o remorejar
da terra sem nome, sem promessas
num epitáfio a sangue que é o nosso!
Mas vá...
Ainda assim os pássaros
sabem de cor as cores dos equinócios.
Ainda assim despontam
fragilizados, encantados em os lamentos
de muitos crepúsculos por vir.
... Esquece-me.
Talvez respeites , assim,
as amarguradas
madrugadas de Abril
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