Sempre pensei...
Acordar, viver
apesar da fome
de luz que passa
e fica no reflexo,
obstinada.
Varre-se tudo...
Menos a morte.
Triste do pobre
que não tem papel
e escreve na sola dos
sapatos...
O sono aproxima-nos
do anoitecer.
A escrita proscrita
além aguarda.
Afunda-se no corpo
na mira caça
num campo aberto
sem sombras.
A morte vende o que
tu tens.
E tu...
vendes
o que queres.
Amparar a luz
de olhos fechados;...
A escuridão tem gretas
que se emancipam
no céu.
Está ali...
O teu corpo que te
espera;
dorme.
Não queres ir ter com ele.
O anti-tempo inventado.
Ninguém te pede a lua...
O que se bebe é um copo
com esquecimento.
A pedra rente à água
sem faróis acesos;
agradecimento.
A luz violenta chamusca
a vida sem ânsia
aos ponteiros velozes
sem peso num campo
oval. À queda do nosso...
Pele.
O vinho transportado
para a tinta no deserto.
Só passa o sol e areia,
por vezes, as estrelas.
A ressonância para dentro,
um universo a ir
de um corpo que se abate
pedra
o mistério do centrípeto
e das suas auréolas
rente à água.
De lá vêm
cinzas.
Cai o tempo sobre
encontros inesperados
não se distinguem
nos pátios abertos
onde repousam as carcaças
metálicas do amanhã.
Olham-se velhos e jovens
espelho a espelho
na necrologia estranha
das palavras.
Etimologia da terra
angustiada, quezilenta,
regateia ao que tem direito,
não quer dunas e areia
nem gretado horizonte.
O pó sonha ser limpo
em qualquer nomenclatura
de desprendimento magnetizada
...
Velha, a noite...
As pesadas pálpebras
estrelas,
lânguida a luz
na distância
que a acaricia
sem pensar, uma negritude
de abismo no que continua
a existir para além de si
onde perde toda
a esperança.
Não há desespero na desesperança.
Epidermes e epidermes
de ocasos
momentâneas concretizações
ampulhetas.
Atroz ir.
Descalcificação
dos mecanismos
que movem as rodas
dentadas apontadas
às sombras que ocupam
outros lugares atrás
da luz fantasmagórica.
...
De lá vêm
cinzas.
Inversão nas imagens paradas.