quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

De lá vêm cinzas





De lá vêm 
cinzas.

Cai o tempo sobre 
encontros inesperados
não se distinguem
nos pátios abertos
onde repousam as carcaças 
metálicas do amanhã.

Olham-se velhos e jovens
espelho a espelho
na necrologia estranha 
das palavras.

Etimologia da terra
angustiada, quezilenta,
regateia ao que tem direito, 
não quer dunas e areia
nem gretado horizonte.

O pó sonha ser limpo
em qualquer nomenclatura
de desprendimento magnetizada
...

Velha, a noite...
As pesadas pálpebras 
estrelas, 
lânguida a luz 
na distância 
que a acaricia
sem pensar, uma negritude
de abismo no que continua
a existir para além de si
onde perde toda 
a esperança.

Não há desespero na desesperança.

Epidermes e epidermes
de ocasos
momentâneas concretizações
ampulhetas.

Atroz ir.

Descalcificação 
dos mecanismos
que movem as rodas
dentadas apontadas
às sombras que ocupam
outros lugares atrás
da luz fantasmagórica.
...

De lá vêm
cinzas.

Inversão nas imagens paradas.

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