domingo, 23 de abril de 2017

Saturno





Há os que contemplam ainda o sol
obscuro, a face espelhada,
um profundo catatónico artificial
de estrelas distantes.
Os silêncios preenchidos,
imagens magníficas obturadas
de suspiros
ao passar.
O esquecimento é o fermento
na composição da atrocidade...
Apocalípticas elípticas deambulações 
dos barcos que mergulham no horizonte
já sem velas.
As pessoas catástrofes misteriosas
exponenciadas a um coração lunar.
A falta de vocabulário,
a incompreensão das constelações...
dos dias e a noite.

Estranhos desígnios de planetas 
mortos...
Com suas luas...
Seus anéis...

Aquele vestido e uma manhã de Primavera





Os lábios naquela manhã...

As mãos não conseguem ser escudo
para os ouvidos...
Ao invés deixaste as digitais
em cima dos livros
com que meticulosamente
fazias pensos para colar
as veias que rasgaste com o papel fino!!!

E é preciso uma certa subtileza para encarar a paz,
a pseudo paz que continua a chacinar,a massacrar,
a assassinar.
É aos olhos dos outros que me encontro
na guerra concretizada comigo próprio.
Genocídio de sentimentos...

Os olhos,vagarosos,
matam lentamente por onde passam...
são como os invólucros de balas,
cheios de ansiedade cinética de perfurar.

...A minha pele veste o que absorve...

sábado, 15 de abril de 2017

da madeira brota um fogo frio, apaziguado





Deste conforto magnético
Pétalas de pedra
Deserto crepuscular
metal fundente do sol a ir.

Esperam, 
palete colorida 
os ramos, as flores, os pássaros,
o eco da resposta na vibração 
de águas antigas.

Um espécime centrífugo.
Caldeiras ininterruptas alimentam
o tempo
a foice da matéria fotografada
em pálpebras
no cerne das estações
o néctar sugado pelo chão.

Implodem nas veias 
as palavras desoladas a branco
o rastilho condutor do sol a nascer
e o todo que fica à sombra.

As flores deixam de cair 
e percorrer
abandonadas a seu destino...
A tinta nos dedos
a pingar...

Um algo de morte
a fazer-nos possível.