domingo, 12 de novembro de 2017

Ainda Não é a Tua Noite





Adoro estas comemorações
decrepitas do silêncio...
Enruga-nos o tempo,
O som a sua ilusão!
Um dia acordas
e ainda estás asfixiado
com o teu pensamento...
Cadáveres esquisitos
com que nos escreve
a luz do dia.
À entrada,
quase nos atropelam 
por um lugar.
À saída,
para entrarem
por um lugar...
Afinal...
Quem é que quer 
a cova primeiro?...

Quantas vezes se clama
à madeira
aos gritos ensurdecidos 
pela terra?!
Esfíngicos os dedos
dos dias,
pelas gravuras
dos buracos das persianas
propagados...
Acariciam um cabelo
tombado e sussurram:
- ... ainda não é a tua noite...
Despida...
Como a vestir,...? 

Ainda assim que a luz das 
estrelas perecidas
sejam o seu próprio
consolo?!...
As lágrimas cristalizadas
na berma dos olhos,
guardam fósseis
de muito sangue 
escorrido...
... As lâminas...
... Os teus olhos ausentes...
A lua inundou o teu 
funeral!

... Sou eu, daqui a uns 
anos... sentado a 
meu lado... quando 
já tudo tiver abandonado.

De momento, ainda
tenho um afia para
cortar as unhas...
As aparas, o pó 
em unhas, quem sabe,
as pontas dos dedos
em carne viva
de tanto esgravatar


os dias...

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