sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Morte Moribunda




A noite pôs-se a meu lado,
com o seu véu moribundo de morte
e de estrelas e sussurrou-me:
-... deito-me a teu lado com toda
a luz reflectida, com todos os gritos
de uma profundidade a ser percorrida...
... só para te dizer...
... só para te dizer...
... que. Até os astros
têm a sua dimensão desolada...
... que. Para além de ti
há noite num dia,
perscrutadas as lágrimas findas
nas rugas por onde a luz 
não passou...
... para te dizer...
... só para te dizer...
que o fundo ainda não chegou
... para te dizer, só...
... eu pereço sozinha.

Solaris




Alto, quente, alheio,
Vazio. Fúnebre.

As lágrimas são a cera
Para um casulo vazio...
De tanto arder param.

Há imaginação de que se alimentam
As penas
( É rápido como caiem)
Num plano cinematográfico
De línguas mortas
Rodeado de pó defecado
Construído na nossa pele altar.

Como é que pode o mundo
Estar tão apedrejado de tristeza?!

Príncipe Desencantado




A minha princesa não é deste mundo.
Não vive num conto de fadas
Adormecida por uma maçã envenenada,
Não perdeu o sapato à meia-noite
Enquanto fugia encantada,
Disfarçada na sua pobreza.
A minha princesa é uma meretriz
Como eu, insaciada
Pela sensação, fio de cabelo
Deitado ao chão.
A minha princesa de encantada
Não tem nada,
É a devastação! 
Fantasmas alheios equivocados
Que ainda não encontraram
Perdão!
... Suspiros horrendos...
... Palavras não ditas...
Corais funestos em bocas lábios
Suspensos...
Queres escutar a música
Minha querida?!
Escuta o mar
Príncipe desencantado...
É meu este abandono...
Esta ondulação

Apocalipse




Uma flor sem manhã
há importância do astro
com que se queda.

Não são uníssunos os palpitares
nem os anoiteceres.
À incandescência das veias reflectidas
propagadas.

Os meus olhos
são uma uma vela sem sombra de tempo
nesta tristeza sem forma
nem concepção.

As lágrimas transportadas
por carretas sem pavio...

Em contemplação 
ainda se demoram as estrelas
e a noite.

Farrapos tecidos
ao alcance de todo 
o abate...
Tão grande
nesta insignificância 
ordeiros ofuscados no esquecimento.

Um tudo todo
azul como se fosse para sempre
asfixiado.

Uma visão apoteótica de destruição...
Uma beleza inconfundivelmente devastadora.

Perfeito Metafórico Momento




Adeuses!!!!!

A pena é a extensão da minha mão...
bem que poderá ser almadiçoada
a um céu que verte lágrimas em tinta! 

O calor não tem calor dele próprio...
Assim se assustam as orlas ondas magnéticas labaredas... 
in visíveis... 
Em vísceras. 

Da língua brota a silenciosa tinta.
Apoquenta um papel imaculado

Pés, as raízes do chão
 para onde nos haveremos 
de nos enterrar,
novamente!

Metafórico esse perfeito momento...

Nascimento




Ao princípio eram as cinzas
e esquecemos.
A noite e o dia 
o amanhecer, as lágrimas 
desaprisionadas, não habituadas,
orfãs.
Um rumor lá ao fundo longe
não distinto
alienados nesta rede de mel
e esquecemos...
Os prantos
Porque já eram parte de um todo
incompreensívelmente negro.
Impossíveis dos imãns onde o sol mercúrio,
nas sombras à janela
irrompia no chão destroços,
tão vagas asas desoladas...
E esquecemos...
Vulcânico é uma crosta, 
o magma apazigua,
alforja a incandescência do sofrimento.
O palpitar do labirinto invertido
do Apocalipse esbatido contra o horizonte...
Não tem línguas nem catedrais
percursionadas pelo fogo...
E para a chuva diamante que alimente.
Esquecemos

Império de Tristeza




O Império da tristeza
o palácio de luto
os maestros da desarmonia
sombras obtusas prisioneiras
em frequência decadentes
Tudo passa com a monstruosidade
do ocaso
Acordar do desespero de acordar
e ainda vem longe a noite
Desaparece a carne no arrependimento 
de andar
Crescem os abismos em volta 
dos olhos
Sólida e concreta retorna a felicidade
não tem o mesmo peso a pegada
pisada suas vezes
De luto o palácio
e o império em ruínas
vestidos encarnados de morte
Nem a desolação é misantropa
...
Não é escrito na pedra o cansaço.
Que fim de outrem ressurrectos de nós
com veias que nos comem para dentro.
...

Profunda Penumbra




... É esta penumbra profunda...

Dizem que vinha de lá o céu

Quando para nos ocultar
as denominações das sombras
a esfera expira fotossintéticas

Banquete ao amanhecer
e a decadência electricidade.

Crepusculares Vibrações




Agora que não há sol
As portas tímidas 
um estore desacontece
à nossa visão
respirar à corda ao pescoço

Crepusculares vibrações
Melancólicas misteriosas
Constantes insubordinadas
Metástases nocturnas

Somos já mortos 
na indiferença
para além da luz.

Fado




Sei que ali está o rio
e que me espera para além
destas ameias de desoladas
visões escarpadas.

Contemplo o espelho partido
às minhas pernas,...
Assustada com a minha própria
sombra...
...
A caneta escorrega nas digitais. 
Espantar o corpo contra
quando não há reflexo

O meu semblante é o rio.

As nuvens lá continuam
em queda às penas imaculadas.

Colapso



Uma seringa para o não esquecimento
labiríntico o devaneio
da luz

Beija a lua o adeus 
onde estou

Cadavéricos o que nos contempla
no horizonte extinto das carnes.

Errantes colapsos 
fazem às árvores sombra.

Vinte




Soaram as doze badaladas
e morro por dentro.
Bebo e brindo
lágrimas de desespero.

Toda a esperança em tons de derrota.
Toda a esperança morta melancolicamente.

Este é o dia em que os anjos não choram.
Este é o dia em que estão petrificados
espantados com magnânima tristeza.

Soaram as doze badaladas lentamente
continuam a ecoar pelas horas adiadas.

Toda a esperança em tons de derrota.
Toda a esperança morta melancolicamente.

Pendem-me as lágrimas e não caiem.
Queima-me a dilaceração interior.
Transponho a minha dor neste papel
e fica possuído, não absorvido.

Contra corrente.

Toda a esperança em tons de derrota.
Toda a esperança morta melancolicamente.
Este é o dia em que os anjos não choram.
Este é o dia em que estão petrificados
espantados com a minha tristeza.

Soaram as doze badaladas
e morro por dentro
Bebo e brindo
lágrimas de desespero...

Anti-Gravitacional




Nenhum fim é consolo.
A diferença dos vivos
que nos faz chorar.
Todos poentes
despidos e cuspidos
de madeira 
e o que não nos enterra
escurece-nos.

É ao contrário
não se arrependem os
astros de errar.

Madalena



Quase enlouqueço 
no epicentro do esquecimento.
Desumano
derrama em rama 
a nocturna tristeza...
Vi-a aqui em todos os
anoiteceres, opúsculos
ultra-violetas.
Ninguém Te abandonou.
Abandonámo-nos aos nossos
desígnios.
A janela perpétua 
ao caiar-te o olhar.
Uma Madalena fixa
no céu.