quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Suicídio
Esvai-se o teu rio
Perde-se ao longe o teu mar
O Outono para sempre se instalou
As memórias esvanescem-se
Têm a cor de sangue em copos
Esbatidos e lábios carimbados
Coleccionados
Corrosivas palavras
Com o limbo da noite
Tudo se preenche em prelongados suicídios
A centrífugadora magnífica
Um pote mágico ou varinha de condão
Um vagar contínuo lamento
A sua pele arrepia esbatida
No furtar da luz
Os corvos anunciam a aurora
E o crepúsculo incendeia os céus
Na apatia do revirar dos titânicos dias
Tu finalmente descansas
Eu para sempre amar-te-ei
Sem descanso incansavelmente
O meu desaperecimento
Veio como uma Graça
Cheira a corações queimados
Na insistência do Inverno
Atracam os destroços à porta
domingo, 12 de novembro de 2017
Ainda Não é a Tua Noite
Adoro estas comemorações
decrepitas do silêncio...
Enruga-nos o tempo,
O som a sua ilusão!
Um dia acordas
e ainda estás asfixiado
com o teu pensamento...
Cadáveres esquisitos
com que nos escreve
a luz do dia.
À entrada,
quase nos atropelam
por um lugar.
À saída,
para entrarem
por um lugar...
Afinal...
Quem é que quer
a cova primeiro?...
Quantas vezes se clama
à madeira
aos gritos ensurdecidos
pela terra?!
Esfíngicos os dedos
dos dias,
pelas gravuras
dos buracos das persianas
propagados...
Acariciam um cabelo
tombado e sussurram:
- ... ainda não é a tua noite...
Despida...
Como a vestir,...?
Ainda assim que a luz das
estrelas perecidas
sejam o seu próprio
consolo?!...
As lágrimas cristalizadas
na berma dos olhos,
guardam fósseis
de muito sangue
escorrido...
... As lâminas...
... Os teus olhos ausentes...
A lua inundou o teu
funeral!
... Sou eu, daqui a uns
anos... sentado a
meu lado... quando
já tudo tiver abandonado.
De momento, ainda
tenho um afia para
cortar as unhas...
As aparas, o pó
em unhas, quem sabe,
as pontas dos dedos
em carne viva
de tanto esgravatar
os dias...
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Anti Tempo
...
Vem o nome à boca
Sempre um semi-deus alado
Colateral...
Obtusos pensamentos
Dos deuses que nos cuidam.
Aquele virar esqueleto que sorri
Na deambulação da ironia
Estátuas sem coração
Debruçadas constantes carretas...
É simples o ritual...
Os olhos deloridos,
A sopa, o copo de vinho,
Submerso num vidro reflexo
O relógio que nos olha de fora.
A colher amedronta a Morte.
A perna senta-se sobre a fortuna
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Acorda
Arde Lisboa em dilúvios!
As goteiras ao longe
parecem passos ao perto...
Um beco...
com saída...
uma tábua de engomar ensopada
dá acesso à eternidade,...
à secura...
...Portas emolduradas...
Olhares debruçam-se
sobre poças encadeadas
e sinais vermelhos demoram-se.
Uma donzela encantada:
- Acorda ! A... corda... !
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