sexta-feira, 30 de março de 2018

Perplexo nocturno





Perplexo nocturno
Órfão de luz
As estrelas sem sombra 
Nada me dizem
Entre solavancos de prantos
A noite ainda não caiu
No devaneio de si mesma em dilúvio
Velados os murmúrios
Nas velas os intervalos
Da penumbra em suas preces
Beijos idos
São o alimento para uma roleta russa
Sintetizados no degolo de uma bebida branca
Deito-me com o escuro e não são
Os olhos que dormem ou descansam
Nada será deste pó em que me desfaço
Todos os dias numa pena desfasada
De me esquecer
Cá tudo fica
Nesta escrita interminável
De gritos interiores
Que me leva à morte de frio
Nos lanhos do destino
Não sei braille porque senão
Saberia como desescrever-te
Nesta falta de te esquecer
Crepita lá fora um sangue
Que não condiz
Nas imperceptíveis tatuagens perenes
Das agulhas com que encerro
As pálpebras

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