quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Opérculo
Obscuras as linhas
que antecedem os intervalos.
A gíria e gira
a valsa da sina.
Os telhados
sobre o Tejo...
Tempestades
saudades...
O canto,
cada nota
mais leve,
explodia
o perigo.
Livres laços.
Supersticioso,
vanglorioso na queda,
o sol
e em pompa a noite.
Misteriosos becos
nos labirintos com saída...
Não se apagam,
ficam vincados.
Dos olhos
para o horizonte
os passos ao contrário...
Uma sombra aumenta...
O tempo
inútil e redundante
mercúrio ponteiros
para as veias
ânsia cega.
Folhas desfolheiam-se no vazio...
Sobreposição ausência
puzzle cubos erros
nos batimentos do sino
a horas incertas.
Redoma de árvores sombrias,
tudo por debaixo do mesmo céu.
A urgência no opérculo
da luz por entre as árvores...
Varia a loucura
das mãos na cabeça...
O cuspir do sangue embalsamado
na bússola...
A ignição mal feita...
O espectro perdido
na seiva defunta.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Corpos amam os olhos desunidos urânio
Corpos
amam os olhos
desunidos urânio.
Os livros nas prateleiras,
as suas páginas,...
( folhas que não humedecem)
servirão para quando
acabarem os lenços...
Têm asas
com água ampliada
pelo gelo
e gotas nos dedos
de tinta
Um fundo branco
a azul riscado...
Os olhos não se movem.
Um mundo ao contrário
seringa anti-gravitacional
Os ecos nos becos
um peso na mão.
Salutar a queda
implusiva
derrotados cravos
nas fechaduras esgotados.
Éter cheira-se
Cai pelas varandas...
Lágrimas negras
na despedida.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Em que no cadáver já nem a sombra se reconhece.
Sentados
o eléctrico vinha
tarde;
uma gazua
abriria o caminho.
O vento faz tentativas
de medo
ao frio.
As teias nascem
dos olhos para o entendimento.
Os dias abandonam
as fogueiras à noite.
...
São os braços
que repousam pelos
lábios do esquecimento.
... Alguém disse
enquanto se abriam
portões...
Os materiais
desapego das pessoas
do seu volume.
Circunsprectos
Na cova aberta,
de lá,
onde as estradas
nascem.
O abismo cairá,...
Os cotovelos
gastos de atracar
o chão...
Não se repousa...
Não há vidros
nem cinza...
Reflexos.
As veias moldadas
nas linhas,
na escrita,
o sangue a correr
à procura da fonte
...
Desumanos jazigos
de páginas por abrir...
Em que no cadáver
já nem a sombra
se reconhece.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
A uma mão serena
No cemitério dos vivos
onde se enterram livros
dos mortos...
Porta de emergência
para o vácuo!
Sem abrigos do amanhã
à pele oxidada da noite.
Nasolados olhos
na geometria divina
onde se conjuga o céu
ao contrário com as suas
nuvens em tons de marfim...
Rebelde, por vezes,
com aliados estrelas
escondidas fecundantes
poeiras de tudo.
Aqui se encerra todo
um sonho
dentro de outros muitos
outros que se sonham
enquanto se imagina
sulfúrica,
ascende-se
enlutada nos troncos
para fora das raízes...
Põe-se nova,
confunde-se o céu
com rio, o horizonte
ontem, o espelho
reflexo melancólico violado
ar;
Às faíscas, fagulhas,
fogos onde os sinos
dobram, por nada...
Não há lembrança
no tempo aniquilado...
Sozinhos
contemplamos
todas as (atro)cidades...
Uma a mão serena
sobre uma navalha.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Um mais corpo
Um mais corpo
que se inclina no desmame
do ar.
Saíram as presas à pressa
no desbotar da luz quente!
Na noite o seu bafo frio,
evaporado...
no momento o cenário
apocalíptico de uma
rua decrescente
com o céu projectado
a cinzento e todos os seus
telhados na ausente
respiração dos transeuntes
e da sua poluição.
Uma subida vangloriada
queda em que o guarda-chuva
não ampara nem a mais
efémera lágrima.
Cobertos estão os rostos
em betão
enquanto a cidade parece dormir.
A surdez dos inócuos gritos
amortalhados do outro lado
não muito longe...
Todas as palavras já foram
escritas, mas, mal conjugadas.
Lamentável negritude
a um espelho
desais sem sombra.
Desumanos os lábios
que não encontram
o seu próprio rosto...
Palidez de morgue
cadáveres andantes...
O céu esbate-se
contra as lápides do asfalto,
a tela envolve o rosto,
confunde-se a tinta...
com o sangue.
As mãos espelho
engolem a escuridão
das não conjugadas palavras
escritas,
mais ais resvalem,
ascendente, um corpo,
convexo projectado,
nas lágrimas de um céu efémero.
Escalpado, desmamado
e pálido,
o ar,
precisa de um corpo...
à pressa.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Esvaír
O passado na pele
da ampulheta na sombra
não se rasga.
Estranha consternação
do envelhecimento no papel
que foi luz.
Espetar a tinta na veia
ressequida de vida.
De nada serve emulsionada
sem sangue...
Esganados corpos
sem sentimentos
com memória.
Não é preciso muito...
Impulsionar demais
escorre, esborrata!...
Não faz sentido
senão for para abrir o coração...
Trazer no interior,
num simples invólucro,
na penumbra
todo o sangue que é um poema...
...
Não crescem árvores
onde se semeiam palavras.
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