quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Um mais corpo
Um mais corpo
que se inclina no desmame
do ar.
Saíram as presas à pressa
no desbotar da luz quente!
Na noite o seu bafo frio,
evaporado...
no momento o cenário
apocalíptico de uma
rua decrescente
com o céu projectado
a cinzento e todos os seus
telhados na ausente
respiração dos transeuntes
e da sua poluição.
Uma subida vangloriada
queda em que o guarda-chuva
não ampara nem a mais
efémera lágrima.
Cobertos estão os rostos
em betão
enquanto a cidade parece dormir.
A surdez dos inócuos gritos
amortalhados do outro lado
não muito longe...
Todas as palavras já foram
escritas, mas, mal conjugadas.
Lamentável negritude
a um espelho
desais sem sombra.
Desumanos os lábios
que não encontram
o seu próprio rosto...
Palidez de morgue
cadáveres andantes...
O céu esbate-se
contra as lápides do asfalto,
a tela envolve o rosto,
confunde-se a tinta...
com o sangue.
As mãos espelho
engolem a escuridão
das não conjugadas palavras
escritas,
mais ais resvalem,
ascendente, um corpo,
convexo projectado,
nas lágrimas de um céu efémero.
Escalpado, desmamado
e pálido,
o ar,
precisa de um corpo...
à pressa.
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