terça-feira, 8 de dezembro de 2015
A uma mão serena
No cemitério dos vivos
onde se enterram livros
dos mortos...
Porta de emergência
para o vácuo!
Sem abrigos do amanhã
à pele oxidada da noite.
Nasolados olhos
na geometria divina
onde se conjuga o céu
ao contrário com as suas
nuvens em tons de marfim...
Rebelde, por vezes,
com aliados estrelas
escondidas fecundantes
poeiras de tudo.
Aqui se encerra todo
um sonho
dentro de outros muitos
outros que se sonham
enquanto se imagina
sulfúrica,
ascende-se
enlutada nos troncos
para fora das raízes...
Põe-se nova,
confunde-se o céu
com rio, o horizonte
ontem, o espelho
reflexo melancólico violado
ar;
Às faíscas, fagulhas,
fogos onde os sinos
dobram, por nada...
Não há lembrança
no tempo aniquilado...
Sozinhos
contemplamos
todas as (atro)cidades...
Uma a mão serena
sobre uma navalha.
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