sábado, 25 de março de 2017

Noites e dias assassinos





No final de mais 
um dia,
lá vem sempre o mesmo 
infindável ensanguentado
caminho...

As estrelas lá nem 
se reflectem...

Mergulho as minhas mãos,
tento lavar o meu rosto...
Não me apercebo
que é de lá a fonte,...
nos narcisos escondidos 
atrás dos meus olhos.

...

Aproveito enquanto a escrita
é perceptível não alcoólica
e as palavras
não se afogam no papel.

... Há um vazio
entre as sombras e o ferro...

... Sentados os cadáveres.
... Um lodo
bigornas de enterridade!

Num interior
com paredes, chão e tecto
identificamos melhor a nossa solidão
nada comparada a um caixão...

Num interior
se faz a festa... 
Poderia ser na chuva mas
no interior... 
se faz a 
chuva!
...

... Não quis ver o desespero das ruas
O estômago irrompe por dentro.
A mão em espátula vasculha-o
ou enterra-se por entre
as vértebras... 
deixam
penetrar em lança...
- Só mais uma - disse-lhe-
só mais uma...
... uma só estaca no coração!...

Interroriedade

... A chuva não inverte; ...
não há caminho 
de onde cai... !

... Disparados à espera...
Disparados à espera
no que não iam encontrar!

... Cada vez é mais longo o caminho
para aqui chegar...

E com a chuva limpo os 
lábios...

Invólucros de miséria 
esbatem-se sobre o chão
Os olhos não faiscam!

Inacreditável como só, agora,
acordaram no homicídio...

Não se fazem assim, hoje,
as noites e os dias 
assassinos?!

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