terça-feira, 31 de outubro de 2017
Abecedário da Morte
Não tens o mesmo nome
Nem a palavra a mesma estrutura
É só um esqueleto gramatical desarticulado.
Um vácuo implode na ramificação
Da luz; é silêncio as suas paredes,
Um profundo grito que me incandeia
Por dentro
Reconhecer o meu corpo é uma
Ancestral aprendizagem
Nova linguagem,
Orfão na apneia da longura sacrificada
Que nem o vazio sabe, ofegante, soletrar.
Dissolvo-me em fumo,
Um Kurofone rumo,
A um horizonte longuínquo abissal.
Um lamento sobre quatro pernas
Pois, cresceram-me as pontas
De uma cruz nos braços
Com que sulco o vagar dos intermináveis
Outonais dias
Tecidos a cinzento, por vezes luminosos
Outros, nefastamente prantuosos.
Este é o caminho magnífico
Do esquecimento.
Aqui não se semeiam sepulturas
E os mortos são memórias bem vivas.
Fui aquele Prometeu
Que as sombras devorava...
Hoje não resta uma centelha,
Aquelas paredes a esponja,
Molas pneumáticas para a vibração
Do próprio grito que engole
Satisfeito o vácuo esqueleto,
Estrutura melancólica do teu nome
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Surreal Elipse Eterna
Procuro-te...
Entre prantos a reminiscência
gigantesca... Mas já não estás
ali, permanece um volume inexistente
sem fronteiras...
Parecem stropes, flashes
incandescentes quando te visualizo
sem qualquer física lembrança
cortado em memórias...
No chão não eram cinzas mas ossos
confundidos roídos
da matéria do tempo embriagado...
Ainda me arrepia o teu vulto,
um desalmado azul etéreo
nos desesperançados linhos da noite.
Sofrêga a respiração e o palpitar,
as sombras embutidas sem luto;
infímos nos ecos dos lábios
contra juntos magnificientes
criavam galáxias...
Retrocediam negros buracos
e extinguiam-se.
Aqui fez-se surreal elipse eterna
Outunais Criaturas
Chegou o Outono
com o seu frio sol,
estranhamente saem as criaturas
à procura de seu quente alento
enquanto pousam os olhos no alcatrão
que os absorve.
Abate-se a melancolia
ao primeiro vento,
no novo tecido que arrepia
na pele convexa.
Habitados ou fantasmas porque
todos são filhos de uma antiga
tristeza ou abandono,
nem que seja na projecção de vidros
ou lascas
de um enorme musgo amniótico
e os beijos rasos no lodo chão.
Traficasse a sobrevivência,
as folhas secas insistentemente
cansadas de sol!
À falta de sal, vertem-se
as lágrimas à bocapara uma hibernação interior.
Um velho e catatónico suspiro,
sábio na perseverança do desencontro
e o nevoeiro no coração...
Já nâo há bosques, somos dizimados
por essas entranhas estranhas,
Outras criaturas que se louvam de deus
ou deuses; tudo preenchem
com carcaças metálicas, solidão
e fogo.
Deus,...Não estão tão sós estes serafins?!
Todas as criaturas, sim
nessa orgásmica fatalidade.
Desordem
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Que corações dobram por nós?...
Momento.
... Desolado não sabe
que amanhã acabará
ao redobrar dos sinos.
Nobre existe limpo;
matinais ossos não
neste exercício esquisito
de contemplação. Alvo
na ressonância dos quartos.
Os olhos dormentes, insónios
de choro, insaciados por onde pousam.
A barriga segura a mão
com a seringa à não
derivação do bloqueio do sangue...
... tudo aprisionam impávidos
... tudo aceitam não ansiosos...
Será noite minha bela amada
Lisboa e não sei que me afundei
com a âncora
reflectido na admiração
de um deus irado...
Sobrepõem-se os funerais,
os dias de cada mais vezes ambulatórios
porque tudo são vozes
de anjos em coro,... no fundo.
As calcinadas rodas dos ventos
contra estas paredes invisíveis
e o preenchimento no esquecimento.
Na gentileza à cruz
porque afinal há ainda uma verdadeira
Humana preocupação quando
à vista se a carrega.
Zeus a Valhalla!
Afrodite Jesus..
E cegos os corações que dobrem agora por nós
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Penumbra
São sepúlcros as estrelas quando ergo
os olhos ao céu.
Os passos, os pensamentos...
Um funeral em pompa majestoso.
Leva-me deste rio de lágrimas,
Penumbra...
As pessoas falecem e vão
como se estivessem de pé.
Quero as palavras para além,
à frente do declínio
da loucura ou tristeza
onde nada tarda ou arde.
Um bafo amargura
sem nós nem tendões
numa costelação preso
a molhar a pena
num coração seco
Hoje não haviam
nuvens,
o mundo ardia num mar
de labaredas azuis,
as sombras ascendiam
pelas pernas sem asas húmidas.
Respiro um coração cinzento
àvido de esquecimento.
O desamor é o motor deste mundo
moribundo.
Foi sonho, premonição
todas as estrelas mórbidas
receptáculos decadentes
implodidos de um buraco negro.
A indiferença tem farrapos
como candeeiros...
Fecho a navalha
Amanhece
E tu não morreste
domingo, 15 de outubro de 2017
Prantuoso Caminho
Não podes estar
habituado a algo
tão suave que te
possa matar !
Afogar-me no nevoeiro ! ...
um deus sem tempo ...
Ainda assim,
com todo o gelo ,
caminhei em prantos
sabendo que as minhas
lágrimas me poderiam
furar os olhos !
Elisabeth
O tempo aqui não passa
nem num único conforto de um cigarro
sem fumo.
O céu, pêndulo segundos presos
a outros céus que se acendem
fortuna do aniquilamento dos seus.
Nem tempo tempo há
para os sonhos,
a luz oprime no passar das horas
sinfonia, um umbral sobre
as infindáveis horas tragédias.
Caídos gritos de esperança
de uma citadela, não de uma cidade
alheia e os seus néons luminosos...
No cimo dos montes as naves ventoinhas
alimentam os ventos...
O desalento vive em mãos de ferro,
as súplicas entre-cortadas,
lapsos,
preenchem os corredores fantasmagóricos.
O sono não chega
nem os pesadelos.
Lá fora existe um espanta sonhos
magnetizado pelas estrelas...
... Nem o Outono...
Aqui somos radiografias
no esplendor ressonante do horizonte.
Manicómio de sombras aranha
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Espantalho
Os albatrozes trazem os primeiros
reflexos.
Ainda é só o primeiro estádio
da opressão arterial.
Nos corredores a demência
um interruptor alado,
batem as portas
e as escadas não estão minadas
de inteligência sensor.
... Ficam na retina os graves rostos
secos, verdes, brancos ou azuis...
Pérolas que abandonaram
os seus cadáveres.
Uma sensação de chuva
inunda-me os olhos,
antes de amanhecer...
Com liberdade a sal...
Os raios-x são janelas,
os ossos transportados peles sombras,
apoteose no sangue derramamento
e a morgue que nos espreita
no final da esquina.
Corrosivo e sem fita-adesiva
não se segura um coração
abalroado, toda a dança inconsciente
de um espantalho desarticulado.
As estrelas eram beijos gravidade num céu ao abandono
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