terça-feira, 24 de outubro de 2017

Outunais Criaturas




Chegou o Outono
com o seu frio sol,
estranhamente saem as criaturas
à procura de seu quente alento
enquanto pousam os olhos no alcatrão
que os absorve.
Abate-se a melancolia
ao primeiro vento,
no novo tecido que arrepia
na pele convexa.
Habitados ou fantasmas porque
todos são filhos de uma antiga
tristeza ou abandono,
nem que seja na projecção de vidros
ou lascas
de um enorme musgo amniótico
e os beijos rasos no lodo chão.
Traficasse a sobrevivência,
as folhas secas insistentemente
cansadas de sol!
À falta de sal, vertem-se
as lágrimas à bocapara uma hibernação interior.
Um velho e catatónico suspiro,
sábio na perseverança do desencontro
e o nevoeiro no coração...
Já nâo há bosques, somos dizimados
por essas entranhas estranhas,
Outras criaturas que se louvam de deus
ou deuses; tudo preenchem
com carcaças metálicas, solidão
e fogo.
Deus,...Não estão tão sós estes serafins?!
Todas as criaturas, sim
nessa orgásmica fatalidade.
Desordem

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