terça-feira, 31 de outubro de 2017
Abecedário da Morte
Não tens o mesmo nome
Nem a palavra a mesma estrutura
É só um esqueleto gramatical desarticulado.
Um vácuo implode na ramificação
Da luz; é silêncio as suas paredes,
Um profundo grito que me incandeia
Por dentro
Reconhecer o meu corpo é uma
Ancestral aprendizagem
Nova linguagem,
Orfão na apneia da longura sacrificada
Que nem o vazio sabe, ofegante, soletrar.
Dissolvo-me em fumo,
Um Kurofone rumo,
A um horizonte longuínquo abissal.
Um lamento sobre quatro pernas
Pois, cresceram-me as pontas
De uma cruz nos braços
Com que sulco o vagar dos intermináveis
Outonais dias
Tecidos a cinzento, por vezes luminosos
Outros, nefastamente prantuosos.
Este é o caminho magnífico
Do esquecimento.
Aqui não se semeiam sepulturas
E os mortos são memórias bem vivas.
Fui aquele Prometeu
Que as sombras devorava...
Hoje não resta uma centelha,
Aquelas paredes a esponja,
Molas pneumáticas para a vibração
Do próprio grito que engole
Satisfeito o vácuo esqueleto,
Estrutura melancólica do teu nome
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