quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

A Besta




As guilhotinas giram 
Numa bênção agarrada ao mármore 
Todas as condenadas páginas contra a parede 
Por abrir num perpétuo ar pesado 

O não sentir 
O não sentir 
Sentido nenhum 
Num atrás de algo 
Tudo dorme e possível 
... ( aquelas janelas ópticas 
{Quebradas}) 
... Abomináveis 
... Dormem...

Inevitabilidade



Há-de chagar sim, o inevitável!
Todos os invólucros das noites 
E dos dias. Pensas em tão quanta
Afamada solidão, sim, porque lá
No fundo partiremos sozinhos...
Cruamente com ou sem ruletas
Tenham elas qualquer nome
Ou apelidos, ruas, ... não ! Mas pensaste-te
Divino?! Morreste e ninguém se vai
Lembrar de ti daqui a alguns anos
É só uma vaidade de dizeres que sofres
E de que estás vivo... com ou sem pena
Pode ou é uma desculpa para o decrépito
Adiantado, adiado. Coitadinho tão nova
Tâo novo! Não são assim as madeiras
Comprensadas,embalsamadas antes 
De beijarem a terra? Pelo menos que me
Sepultem num mar onde a madeira 
Nunca apodrece e inviolável seja o seio
Do sol lá longe!

Deus Chorou




Um caminho de vidros
Sem lembrança onde não
Repousa inócuo nevoeiro

Levo as moedas aos olhos

Parece-me que por onde pouso as mãos
, caminho... Tudo arde à minha volta!

O céu escorre pelas nuvens! 

Deus chorou!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Socorro Perpétuo




A noite aniquilou 
Os rouxinóis debaixo
De um céu azul
Carrego nas mãos o sangue
A morte dos céus
Para além do horizonte do suicídio

Choro e os meus pés
Ardem
A água é como o fogo
Transforma tudo em pétalas
As palavras são as almas
Onde a luz não entra 
No obscuro reina o sangue
Num socorro... Perpétuo

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

A Drogaria




Holocausto dos dias corrosivos?!
A que contentor pertence a saliva,
A que cor, o sangue?!...
O desgosto brindado pela manhã?!
Não estou à espera que me escutes
Esta é a minha elegia
Quando acordei naquelas águas
Entravam rios por mim adentro
(Estores) de luminosidade
- Cegava!
Quero o obscuro e subterrâneo
Esta máscara onde me confundo
E possa morrer sem que ninguém
Por isso dê pedra tumular ordinária
De  que eu mais gosto
É de chãos e cantos
Álvaro

Jesus Chorou




Caos em palavras
A vontade alienatória
De extinguir estes sussuros
Algos que não podem ser salvo‎s
Abomináveis telhados onde
Melhor estariamos abandonados
Decrépitos... que ousam a carne
Que nem se quer se sonha

Não era o sol que se punha
Nos meus olhos‎
 As horas da morte
Que se afundavam no pavimento
Em esmalte
Aleijados em musgo
Estes portais de tristeza
Na apeneia de sentir ‎
Dos meus olhos 
Escorre escuridão

Pai anda-me ensinar a voar‎

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Desencanto




De novo as cortinas do silêncio
De dias sem sonhos
Os olhos sejam talvez
A epiderme dos desertos
As memórias o desolo
De todos os fogos
A putrefacção interior
O definhar das estrelas
Nada estranho neste abecedário
De tristeza em coordenadas
Indefinidas pentagramas
De sinfonias genoicídas
Sem nenhuma evidência
Que a noite exista para além
De um coração estranho
Desígnio dos abandonados
O infinito dos pensamentos
São jardins suicídios
Quedas não vistas e o estrondo
Cordas ao pescoço

Musgo




O desespero não está escrito nas estrelas
Não estão salvas de um céu
Em delírio 
Não param as ondas
Nem a gravidade
Mãos lenços ou bocas fontes

Nos primórdios os fogos eram azuis
De glaciares noites brancas
Após as águas o meu corpo
Ficava verde,o meu coração
Um funeral

Ocaso



Borboletas afogadas em ácido
E veneno
Tens a espada e a pena
Um salvar-te-me de mim próprio
Metamorfoseados invólucros
Despedaçados de um canhão
À culatra...
A repentina lixívia
O revirar dos olhos
Quando não tens uma arma à mão
Nestas noites que não se salva
A jugular de um beijo
As noites infindas sem lua
Sepulcros
Quinézio nos olhos
Não era um poema
Imagino o momento
Em que do teu pescoço 
Jorrou sangue
Não havia longura, resquícios
Um barril de polvora sobre 
A neve, traços
Caem as cinzas sobre as pálpebras 
Que as sombras com o terror
Nos devoram 
Espectros misantrópicos

[Des]Graça




Encostado à Graça
No desespero dos lamentos
E das flores murchadas
Violinos e espinhos
Dedilham pesadelos 
Nas horas adiadas
Preces que não chegam ao céu
Um Pai cheio de lágrimas
Palavras catatónicas sem imagens
Fantasmagórico o amor que nos separa
O murmúrio do chão pelo passos
Ogival é a noite contra o sol

Alfama




A vida é triste
A reminiscência de camas frias
Das cordas da vida sombrias
( aquececem-se ao rubor de mãos 
Solidão,( sem fogo ))
Prata a negro no sal espelhado
Cânticos desordenados
De obediência calados, fado
Um devastador sabor suave 
De esperar-te pela manhã
De rostos que vão contra o sol
... Fecham-se gavetas, contam-se trocos
Impérios,... fungam e em algum lado
Há-de ser saudade... de outra noite
( Que ainda não veio em suores
Ou sonhos )
Candelabros na hora de apanhar as cinzas
Caiem as senhoras das janelas
Os farrapos das memórias ardidas
Apeneia de uma vida não sentida
Desencanto ser-se pele, 
Ser-se esqueleto!

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Destemor





Mutável incansável no desnorte
Cristal ardente e etérea sorte
Revogado e do abismo apelado
Pergaminho, trevas, imaculado,
Selado.
Algidez dos mármores
Mago rumor
Não que meça a escuridão
Em seu esplendor
Em gotas de um dedo picado
A sede com que se morre no horizonte
Uma singela fagulha sem incêndio
Menos um veneno que se ingere
No labirinto da tua pele caligrafia
Numa palavra em que todo o mundo ruía

domingo, 3 de junho de 2018

Inverno de Cinzas





Existia um certo
Magnetismo entre o teu cabelo
E a minha pele.
Os teus braços mortalhas
Sudários oscilantes pelos olhos
Vagabundas miragens ondulavam
Pelo alcatrão ao longe
Disse: voa um corpo de esquecimento
Nas esqueléticas sombras
Véus de um vidro despedaçado
Que em côncavas mãos não pode
Absorver. Mais pequenas eram
As pegadas de volta e uma cova
Que se enterrava por si só
Num anormal ressuscitar de cinza
Brotam das pétalas ainda suaves passos

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Eu Θάνατος




As minhas mãos são feitas
De negro deste amanhecer
Nos calotes do desespero
Ide-vos estrelas insensatas
Começa o desabrochar 
A alienação para o esquecimento
Cruzamento de perfumes
Primavera de tormentos
De olhos castanhos transportados
Ossos de cinza rarafeitos
Do enterro pelos mãos não
Se seguram pedras línguas
Palavras deste cadáver
Sudários impossíveis lágrimas
Não ressuscitados
Eu Θάνατος

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Carmo






Quantas vezes não te esperei
neste cemitério soterrado,
escondido?

Em quantas ânsias
palpitava o meu coração
pelo seu lugar, pelo seu peito?

Folhas voaram,
pétalas, pólen e doce
caíram alimentando
um chão eternamente
condenado.

Um qualquer lugar
e tempo é uma maldição,
um baú não descoberto,
apodrecendo.

Hoje é verão
disfarçado de Inverno...
Veio em dilúvio
inundar-me os olhos...
O peito vazio...

domingo, 15 de abril de 2018

Desolo





Presságios do oculto por reflorescer
Abandonados às ondas
Na rebentação com o profundo 
Em que as nuvens passam
Muitos cadáveres alimentam esta primavera
Envenenada de prata, a cadência das horas 
Acopladas ao sofrimento dos corpos a cair


Pestilência nos ares antigos
Nos corpos suados no cansaço
Nas memórias que ardem 
E não são velas de corações abandonados
Noutros confortos
Dos céus por cima não se reza a outra sorte
Acreditasse num caminho adornado de pétalas
Em que as rosas não são defuntas
Furto estas páginas a uma história
Que não é minha e nos
Olhos o enraivecido esquecimento da morte
O desprezo do passado que tudo assombra
A coroa de espinhos ao peito para dentro

sábado, 31 de março de 2018

Senhora de Água




Relembro-te vestida de água
Os olhos negros importados
De luz
Agarrada às serpentes
Entre nós rios maternidades
Incessantes de lágrimas
Queria-te assim 
Num esquecimento igual à morte

Cheguei a este desespero 
Cinzento na opulência de quando
Tudo for vazio em que se respira
E não se encontra destino
Azul
O sopro fatigado que tinhas
Dentro tudo vento na aniquilação
Noites estas frias que cobrem

O coração

Tudo o que tenho para te dizer
São estas páginas em que morro
Num funeral adiado
Sumptuosas lâminas 
Que trespassam e não reparo

Nas vozes dos mortos contra a manhã


sexta-feira, 30 de março de 2018

Perplexo nocturno





Perplexo nocturno
Órfão de luz
As estrelas sem sombra 
Nada me dizem
Entre solavancos de prantos
A noite ainda não caiu
No devaneio de si mesma em dilúvio
Velados os murmúrios
Nas velas os intervalos
Da penumbra em suas preces
Beijos idos
São o alimento para uma roleta russa
Sintetizados no degolo de uma bebida branca
Deito-me com o escuro e não são
Os olhos que dormem ou descansam
Nada será deste pó em que me desfaço
Todos os dias numa pena desfasada
De me esquecer
Cá tudo fica
Nesta escrita interminável
De gritos interiores
Que me leva à morte de frio
Nos lanhos do destino
Não sei braille porque senão
Saberia como desescrever-te
Nesta falta de te esquecer
Crepita lá fora um sangue
Que não condiz
Nas imperceptíveis tatuagens perenes
Das agulhas com que encerro
As pálpebras

sexta-feira, 9 de março de 2018

Nove




Os dias são veneno
Dormir o antídoto.
Os meus olhos catedrais
Embrulhados em brumas nocturnas
O corpo amortalhado em cedros
Beijos elípticos negros
O amor destronado
Num templo de desgraças
Nada podem as palavras
Contra a animalidade da paixão
Um frio que assola
Mastigo os reflexos abetos
Na frequência de corpos esfarrapados
E um deus sem dor

Lua Cinza




No interior o meu coração
É uma câmara de espelhos
Passeamo-nos animais
No reconhecimento das folhas
Nas sombras e nas cinzas
Carregados contra a lua
Nos incêndios anelares
Há algo que cai em forma sobre o chão
Estão ali os beijos e as veias enterrados
No desfrutar da luz

Lareiras Desdentadas




Respiro sangue
Um relógio de ânforas sobrepostas
Denominado pelas implosões
E explosões
Escrevo contra uma corrente fria
Que me brota da cabeça
Não é difícil perder-me nesta
Ante-mão que se sucede
No ricochete da solidão
De lá caem lágrimas
As crateras invísiveis a olho humano
Escondidas em prados de carbono
Mãos que arderam no calor esvaído
Numa lareira de esquecimento
Nos ossos empilhados de frio

Inverno-Te




Ide Senhora
Que o Outono ainda não varreu
As folhas
E o sol esqueceu-se de anoitecer
Ainda não vi a geada
Nesta cama fria de gestos
O amor tem
A morte de mão aberta

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Idos




Abomino os meus fantasmas
No devaneio das mortalhas
Um estigma dos abandonados
Porque não sei o que é mais 
Do que ser um desígnio arde advento
Uma necessidade incessante sangue
Na ponta desta caneta
Todo este vácuo tem sabor a nada
De água que já não alimenta a tua vida

E dos corpos em colapsos
Nestes sons de violinos quebrados
Ternura de movimentos imaculados
Ver-te-ia em labaredas
No meio de paralelopipedos
Caída de uma qualquer janela
Da condensação da loucura
E não te seguraria
Num nós que não existia

Pai




Os mecanismos 
Na foice do Inverno
As amarguinhas na boca despontam
Prelúdios de um sol sufocante
Que devia hibernar
Conto as madrugadas no canto 
Dos canários
E adormeço, Eugénio,
Algures em noites de Maio de orvalho
Em que perdi as fechaduras
Nos olhos de luto
Dos portões para sorrir

Vozes




Novamente deserto
Numa espera incalculável
Quase ouço o eco dos grilos
No frio ao cair
Estores de luto contra os trilhos
De toda essa luz que não entra
Nunca foi neste véu que me reconheci
Num aconchego de dor
Em que nada de muito maternal
Exista
As vozes de uma noite
Porque o dia já madruga
Inacreditável como não exista
Num dicionário nesta página
Toda a gente diz que neva
Mas não há definiçâo para o frio
Das areias das ampulhetas na boca

Canção





O segmento das palavras
Afiadas
Apneia sorriso louco
A delicadeza tudo 
Um punho que guardo
No bolso
Vasculhamos 
E encontramos a capa
Um caixão, 
Caixão
Que me leva neste
Escureci não sei como
De mãos fechadas
Há vazios de areia
Inertes pegadas de neve
Que é este cadáver
Em que me vi

Letal Amplitude




Como te poderei ir resgatar aos mortos?!
Concâvo escorre-me o universo
No peito abismo 
Misantropa força gravitacional
Tenho o armagedão cultivado nos olhos
Todas as palavras para um fogo antigo
Um trono de frio e de nove círculos
Cantam do lado de lá os vidros
Como se nunca estivessem com o vento
A perspectiva das raízes
Reflexo de incógnitos alheios céus
Não vai ser fácil 
Veres-me erguer destas cinzas
Dos próprios fogos que criei
Cinzento da tua boca cuspirás
O teu corpo desconexo
Sem anjos nem andrajos
Bebi as lágrimas do teu ventre 
Não sabia que no meu cerne
A amplitude da morte era maior

Anti-gravidade




Deveríamos estar preparados
Para que na agonizante descida
Soubéssemos cortar as veias
Com o vácuo. No escuro
Escorregássemos no sangue
Para encontrar o caminho
De mar e mármore
Há um abismo para além 
Do tempo e da memória

Não voltarás





A morte deverá ter o seu domínio
Para não mais brotares 
Desse coração terra
Da epopeia de um amor enegrecido
Os cândidos e brancos ossos
De quando te abraço
Ainda cálidos os beijos 
Nos lábios frios
Já todo o teu corpo é um caixão
Onde me sepultei.

Feitiço




Ainda que numa ousadia
De loucura e esquecimento
Ficarás num intervalo do amanhecer
Entre dentes e dedos a carne
Que nos come
Porque não saberemos 
O que é outro céu nem gravidade
Balança sobre os pés
De uma bruxa e um feiticeiro
Há ali um corpo
Que não se esquece no musgo

Amorte




Amar-te é uma intermitência na morte
Loucura nos corredores terrestres
Desalmado de certezas
Sei o que é Amar-te para além desta vida
incoerência dos fogos celestiais
Nos confins da escuridão este corpo
Epiderme movimentos imprevisíveis
Ondas melancólicas funerais

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Catarse





Saberei que te esqueci
Senão tropeçares nos meus sonhos
Algo como ousar a escuridão
Do papel, a escrita
Libertação dos mortos
O vento tem várias páginas
O cinzento é para sempre
Nessa noite o coração é só
Tão imperfeito
Sem saber o que é estar mais partido
Sem som grito por dentro

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Buraco Negro




O meu corpo afunda-se  
Os meus olhos são um nevoeiro 
Massiço
Ter que enfrentar 
Toda esta escuridão de peito pedra
Não há crepúsculos 
No pestanejar
Espeto a caneta no peito
Ao que se ousa de preces
Avança a morte, mas lenta,
Com bocas e palavras e sangue
Promessas quando a luz
Incide e imperceptíveis todas as estrelas
Se apagam
No último fôlego do adeus sonho
Embalei-as ao colo
E um imenso negro
Tudo deixaram

Velados Deuses




Serão os seus velados
Corpos cansados que os
Levam à cova?
Não há água que socorra
Os deuses, alguns não
Merecem epitáfio... 
Túmulos ambulantes 
Desesperados não sabem
O que é o fim ou a decadência
Tudo é o horror das súplicas
Nos lábios trémulos, lamuriantes,
Do musgo extinguido ao sol
Nos templos erigidos incendiados
No horizonte... Toda a indiferença
Que lhes bate no peito de pedra.
... Sepúlcro secular...
Os dias celebram a sua fúnebre noitel

Aurora Bureal




Os gritos eram suspensos
Enquanto me enterravas a boca
Com a realidade.
Não consigo contar os pontos
Que coso, ao que se apelida,
De alma.
Não vi luz no cemitéro dos teus olhos
Há catatonia num corpo em frenezim
Onde devoraste o teu coração
Sem dentes.
Uma pedra de lua viaja
Na promessa de um amor perdido
Lá onde é frio o eterno
Quase fim do mundo
E os corações só ardem afogados.

Não há suícidio para as memórias
Neste verdadeiro Inferno.

Autópsia




Aqui não chega
O som melancólico da enseada
Imito o som ao trago
Condensar tudo no silêncio
Como algo destinado à destruição
A morgue de dissecação de sentimentos
Até Invísivel  neste vazio
Impossível lobotomia que se concede
A um coração

Pensei que nevava
Mas eram cinzas que brotavam
Do meu corpo abandonado

Sem Sombra




Pareceu-me que vieram partículas
À boca
Não foi este o mundo que concebi
No desespero dos teus olhos
Um Inverno deserto embriagante
Metastizado
Macabro não ter pegadas
Depois de ter andado
Para este sepulcro branco onde me deito
Na contemplação só queria
Que as estrelas abomináveis
Caissem sobre o céu
Pelas paredes do negrume assombro
Bate-me a noite no peito
Os ramos braços
Imperam os espinhos magnéticos
Sobre o chão
As pétalas aveludam
A terra revolvida
Na insatisfação ainda espetaste
A Coroa no meu coração apodrecido

Sic Lvceat Lvx




Um mapa de sangue pisado
Que nos levasse ao esquecimento
Só nesse silêncio e triunfal momento
Pousado o dedo nos lábios, louvado.

Não sei se foi esta a sorte que nos separa
Estranho engenho do universo alento
Que connosco caminhava, marcara
União amplexo de um puro devastamento.

Abraço as estrelas no fechar da mão
Quando grito para dentro a escuridão
As digitais dos teus dedos memorizados...

Não há nada,  nas longitudes abissais
Que ecoe reverberando os lamentos
Ó Céu, ó Morte, porque não me levais...

sábado, 13 de janeiro de 2018

Anjo Azul





Murmúrios dispersos 
Areal lunar,
Ígneo, repercute isolados prantos
Monótonos nocturnos.

Amplidão secreta
Num éter multiforme tríptico.
Irreal, um anjo errava,...
Nas estrelas impossíveis.

Uma Tristeza Imperial 
Espectro num poço semblante.

Gasoso que sublima
Tem carreiros, cada barco
Abismo, estranhas brisas.

Azul violino quase 
Espelho de uma antiga matinal luz
Candelabro duende.

Cilindro que desce
Majestosas rosas negrume 
Silêncio, Estátua, Graça.

Devoluto Coração




Ainda tive um sonho
Em que um dos joelhos
Tocava o chão... Vendiam-se
Rosas pela janela...
As pessoas eram a paisagem
Ao passarem. Um fluxo
Prantuoso predomina,
Enubladas no interior 
Da respiração... Ecos
Melancólicos saudosos
Primaveris ricocheteados
Nos candeeiros e na escuridão
Oculta... Uma lenta e cadente
Tortura do céu. Murmúrios 
Quando se limpam contra
As pálpebras... Tão longe...
Longe do esquecimento
Das pedras que voltam
Para os olhos e habitam
O meu coração devoluto

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Entre-Os-Rios



Passo pelas ruas, fantasma,
Onde cultivei a felicidade...
Rugas carregadas invólucros
Transbordo cadáver
Perpétuas árvores
As constelações têm outros nomes
Quando contra a crosta
Experimentar o defunto 
Contra a boca

Sou a morte adiada andante 
Segundos fragmentos
Obscuros tamanhos 
Prantos

Nada tenho a dizer
Neste sufoco
Os meus olhos são reflexo
De o horror da tua ausência

Alguém disse vais morrer
De amor. Eu disse vou morrer
Por amor.
Estavas no musgo
E os cedros eram um portal
Para a lembrança na sombra
De ver-te nesse semblante nú
Sem murtalha a deslizar
Pela encosta dos cemitérios

Contra o rio ( de lágrimas )


Caos de Brumas




Este é o meu cais
Sem barcos nem mar.
O vento silva nos gargalos
As partidas ou chegadas.
Não é abrigo nem a chuva é ácida.
[ ao longe vejo um anjo
estátua preso ao céu
Falta uma pele para amar
Nem que seja só por uma noite...
Um coração tesouro
Ourives da sintonia
Beijos desesperados sincronia...
Fico ao relento
Molho os pés no alcatrão.
A chuva são teias 
Quando semi-cerro 
As pálpebras contra a luz.
A espuma está na garrafa.
[ as larvas escutam-se perto
Os farois são as lâmpadas
Fundidas dos candeeiros
Intermitentes depois de aquecidas.
[ andar neste chão 
é como andar sobre o teu corpo
Arrasto a perna e as noites,
Os dias parecem intermináveis tempestades
Que escuto em sonhos
Enquanto flutuo nas bureais auroras.
[ acordo em prantos
sem lágrimas 
neste cais abandonado,
um barco de silêncio
anseando o fundo