quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Opérculo
Obscuras as linhas
que antecedem os intervalos.
A gíria e gira
a valsa da sina.
Os telhados
sobre o Tejo...
Tempestades
saudades...
O canto,
cada nota
mais leve,
explodia
o perigo.
Livres laços.
Supersticioso,
vanglorioso na queda,
o sol
e em pompa a noite.
Misteriosos becos
nos labirintos com saída...
Não se apagam,
ficam vincados.
Dos olhos
para o horizonte
os passos ao contrário...
Uma sombra aumenta...
O tempo
inútil e redundante
mercúrio ponteiros
para as veias
ânsia cega.
Folhas desfolheiam-se no vazio...
Sobreposição ausência
puzzle cubos erros
nos batimentos do sino
a horas incertas.
Redoma de árvores sombrias,
tudo por debaixo do mesmo céu.
A urgência no opérculo
da luz por entre as árvores...
Varia a loucura
das mãos na cabeça...
O cuspir do sangue embalsamado
na bússola...
A ignição mal feita...
O espectro perdido
na seiva defunta.
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Corpos amam os olhos desunidos urânio
Corpos
amam os olhos
desunidos urânio.
Os livros nas prateleiras,
as suas páginas,...
( folhas que não humedecem)
servirão para quando
acabarem os lenços...
Têm asas
com água ampliada
pelo gelo
e gotas nos dedos
de tinta
Um fundo branco
a azul riscado...
Os olhos não se movem.
Um mundo ao contrário
seringa anti-gravitacional
Os ecos nos becos
um peso na mão.
Salutar a queda
implusiva
derrotados cravos
nas fechaduras esgotados.
Éter cheira-se
Cai pelas varandas...
Lágrimas negras
na despedida.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Em que no cadáver já nem a sombra se reconhece.
Sentados
o eléctrico vinha
tarde;
uma gazua
abriria o caminho.
O vento faz tentativas
de medo
ao frio.
As teias nascem
dos olhos para o entendimento.
Os dias abandonam
as fogueiras à noite.
...
São os braços
que repousam pelos
lábios do esquecimento.
... Alguém disse
enquanto se abriam
portões...
Os materiais
desapego das pessoas
do seu volume.
Circunsprectos
Na cova aberta,
de lá,
onde as estradas
nascem.
O abismo cairá,...
Os cotovelos
gastos de atracar
o chão...
Não se repousa...
Não há vidros
nem cinza...
Reflexos.
As veias moldadas
nas linhas,
na escrita,
o sangue a correr
à procura da fonte
...
Desumanos jazigos
de páginas por abrir...
Em que no cadáver
já nem a sombra
se reconhece.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
A uma mão serena
No cemitério dos vivos
onde se enterram livros
dos mortos...
Porta de emergência
para o vácuo!
Sem abrigos do amanhã
à pele oxidada da noite.
Nasolados olhos
na geometria divina
onde se conjuga o céu
ao contrário com as suas
nuvens em tons de marfim...
Rebelde, por vezes,
com aliados estrelas
escondidas fecundantes
poeiras de tudo.
Aqui se encerra todo
um sonho
dentro de outros muitos
outros que se sonham
enquanto se imagina
sulfúrica,
ascende-se
enlutada nos troncos
para fora das raízes...
Põe-se nova,
confunde-se o céu
com rio, o horizonte
ontem, o espelho
reflexo melancólico violado
ar;
Às faíscas, fagulhas,
fogos onde os sinos
dobram, por nada...
Não há lembrança
no tempo aniquilado...
Sozinhos
contemplamos
todas as (atro)cidades...
Uma a mão serena
sobre uma navalha.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Um mais corpo
Um mais corpo
que se inclina no desmame
do ar.
Saíram as presas à pressa
no desbotar da luz quente!
Na noite o seu bafo frio,
evaporado...
no momento o cenário
apocalíptico de uma
rua decrescente
com o céu projectado
a cinzento e todos os seus
telhados na ausente
respiração dos transeuntes
e da sua poluição.
Uma subida vangloriada
queda em que o guarda-chuva
não ampara nem a mais
efémera lágrima.
Cobertos estão os rostos
em betão
enquanto a cidade parece dormir.
A surdez dos inócuos gritos
amortalhados do outro lado
não muito longe...
Todas as palavras já foram
escritas, mas, mal conjugadas.
Lamentável negritude
a um espelho
desais sem sombra.
Desumanos os lábios
que não encontram
o seu próprio rosto...
Palidez de morgue
cadáveres andantes...
O céu esbate-se
contra as lápides do asfalto,
a tela envolve o rosto,
confunde-se a tinta...
com o sangue.
As mãos espelho
engolem a escuridão
das não conjugadas palavras
escritas,
mais ais resvalem,
ascendente, um corpo,
convexo projectado,
nas lágrimas de um céu efémero.
Escalpado, desmamado
e pálido,
o ar,
precisa de um corpo...
à pressa.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Esvaír
O passado na pele
da ampulheta na sombra
não se rasga.
Estranha consternação
do envelhecimento no papel
que foi luz.
Espetar a tinta na veia
ressequida de vida.
De nada serve emulsionada
sem sangue...
Esganados corpos
sem sentimentos
com memória.
Não é preciso muito...
Impulsionar demais
escorre, esborrata!...
Não faz sentido
senão for para abrir o coração...
Trazer no interior,
num simples invólucro,
na penumbra
todo o sangue que é um poema...
...
Não crescem árvores
onde se semeiam palavras.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
As noites e os dias assassinos
No final de mais
um dia,
lá vem sempre o mesmo
infindável ensanguentado
caminho...
As estrelas lá nem
se reflectem...
Mergulho as minhas mãos,
tento lavar o meu rosto...
Não me apercebo
que é de lá a fonte,...
nos narcisos escondidos
atrás dos meus olhos.
...
Aproveito enquanto a escrita
é perceptível não alcoólica
e as palavras
não se afogam no papel.
... Há um vazio
entre as sombras e o ferro...
... Sentados os cadáveres muitos.
... Um lodo
bigornas de enterridade!
Num interior
com paredes, chão e tecto
identificamos melhor a nossa solidão
nada comparada a um caixão...
Num interior
se faz a festa...
Poderia ser na chuva mas
no interior...
se faz a
chuva!
...
... Não quis ver o desespero das ruas
O estômago irrompe por dentro.
A mão em espátula vasculha-o
ou enterra-se por entre
as vértebras...
deixam
penetrar em lança...
- Só mais uma - disse-lhe- só mais uma...
... uma só estaca no coração!...
Interroriedade
... A chuva não inverte; ...
não há caminho
de onde cai... !
... Disparados à espera
no que não iam encontrar!
... Cada vez é mais longo o caminho
para aqui chegar...
E com a chuva limpo os
lábios...
Invólucros de miséria
esbatem-se sobre o chão
Os olhos não faiscam!
Inacreditável como, só agora,
acordaram no homicídio...
Não se fazem assim, hoje,
as noites e os dias
assassinos?!
sábado, 31 de outubro de 2015
A aceleração das sombras
A aceleração das sombras
no puxar do gatilho.
O cavalo de tróia em chamas
e um sangue
efervesce das fechaduras portas.
O mármore suaviza
a dissecação...
Trémulos os olhos brilham,
a íris agiganta-se
com o espanto da carapaça.
Invade o silêncio
para dentro,
os gritos estremecem
todas as ranhuras
que o fogo não consegue
perfurar.
Rejubilam as vozes
ao vento catatónico...
Incinerados fôlegos
num caixão sem luta!
Velocidade espectral
no crescimento a negro.
Aquela.
O pavor do louvor
no enterro
Apoteótica queimada
adjectivos procura,
desacelerados enquanto
o sol observa amordaçado....
... A queda sem aqueles...
Desfecundada terra sangue
em que se ergue o oásis baldio
ogival!
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Campos Incultos
Não mais que um pássaro
repousando ao sol
sobre uma árvore abatida.
Fagulhas de destroços
a seus pés aquilatada
linha emaranhada
grilhões a tornozelos humanidade.
A luz desagua pelas asas
cortantes, aproveita o vapor
do calor das labaredas.
Furiosas horas moribundas
acasos demorados pétalas monstruosas...
Protótipos noseolados
de esquecimento em estufas cadavéricos.
As nuvens habitam
os edifícios no céu vazio!
- Agora pára - pensa o louco.
Eventualmente a estrutura
é decepada para a janela de ejecção.
Maledicência sangueira
estandartes levitados
não vão a lado nenhum.
Debate-se a sombra contra o ferro.
As raízes perduram no chão,
o cepo serve para banquetes e descanso,
talvez bigorna, porque o céu
não se forja manchado.
Os grilhões sorrateiramente
aprisionam-se à carcaça
que voou sem cápsula
nas lavadas e penduradas entranhas...
Uma cabeça rebola
parte árvore cortada
curte-circuitada invisivelmente.
Caem portas sem chave,
sem chão, sem tecto...
Não se vestem as asas
com a linha emaranhada
sem fim no que toca
de uma lua apagada.
Os ramos crescem
esgravatam os braços,
olfactam a cabeça; ao longe
os horizontes fleumáticos
inegualados ocasos de geometria
fantástica aleatória.
Uma cabeça rebola...
- Pára agora - pensa o louco.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Insano Sangue
Não há pressa de ir a nenhum lugar .
Não há pressa de ver o tempo passar .
Sem expectativa .
De devorar as ruas porque o tempo
não espera ; de pensar que não dormirei ,
que acordarei com pressa , e sem pensar ,
que levito no meu próprio cansaço .
De projectar para além de ...
É quase um sem esperança tal qual
um sem abrigo da vida .
De estar só em algum lugar ,
não ter burburinho à minha volta ,
de não respirar , não acordar ,
dormência .
De dormir , de viver .
É quase um insano sangue
que vive por baixo da pele .
domingo, 18 de outubro de 2015
Pena
Quase me obrigo a engolir a escrita
...
Tão estranho exercício o de querer
cuspir palavras...
Fazer um vestido, para com elas
Tapar toda a solidão.
...
O rastilho, apaga-se constantemente...
Todo o magma em inércia exterior
À espera de centríptamente explodir...
...
Por vezes as palavras pintam
Edifícios escuros, ruelas, becos,
Frases abandonadas a azul ou a negro
...
Apagam as pegadas do vinho ingerido
...
Os suspiros que o tempo nem sabe
quanto tempo o tempo levou!
...
De uma pena alimenta-se a tinta.
Num poema, as rodas dentadas
Engrenadas ao sofrimento...
...
Sempre que pousa,
Esvoaça avidamente, quase,
De um destino que lhe foi traçado.
...
Penso em todas as penas
Que já foram olhos.
Todos os olhos que abandonaram
A felicidade num poema.
Todas as penas que não tiveram
alimento e se mumificaram
Em todas as lágrimas fossilizadas
no papel.
...
Os olhos
Berços habitados sozinhos...
Amanhã ponho-os numa cera
Para uma chama para um pavio...
...
Os teus lábios lá esperavam
...
À luz que aqui não se demorou.
Um artefacto esquisito de atrocidade.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Silêncio Genocida
O Demónio trás o pão,
com o tempo, o esquecimento,
a solidão...
O ser-se não sei o quê
numa catapulta de aglomerados
concretos onde habitamos
uns sobre os outros
empilhados sonhos.
Uma fila que apita espera
os números não aleatórios...
- Tomai do meu corpo e de mim.
Não se abrem portas,
paga-se a dízima...
- Já foi o meu tempo -
Há subterrâneos
pessoas formigas saídas,
centrípetos na electricidade
e no pão de cada dia,
estruturados que foram outrora campos
infindáveis à vista desarmada...
O trigo crescia livremente ajudado
sem desumana obrigação.
- Foi já o tempo - pensa o cajado
encostando o ouvido ao chão.
Emigrados fúnebres
convividas tocas cubos campas,
os números não param...
As parcelas são sequenciais,
o Demónio sorri com responsabilidade...
- Tomai de mim e do meu corpo.
Catatónicos olhares encrostados
em ferro e betão
a memória e a glória de amanhã!...
Rejubilada foice na mão negra...
Faltam os pregos... Ah... Os pregos...
Cuspimos-los todos os dias
em hóstias fim
- Tomai do meu paraíso!
O Demónio sorri...
A miséria não está assim
tão longe dos vossos pés...
A cera derrete
semblantes de vela
no silêncio genocida.
domingo, 11 de outubro de 2015
O Palácio de luto
Intravenosas florestas
alheias bolas de cristal
ambulantes reflectidas
desmesurados palcos
extinguidos, musgueadas
vozes em sangue se perdem.
As badaladas invisíveis
em olhares penetrantes numa
imagem deslumbrada
no esquecimento do amanhã.
Apontar as miras
contra si próprios...
Nas sombras abrigam-se
os monstros na nomenclatura
de um anjo que caiu cheio
de luz furtada. O baptismo
entregue à electricidade e efusividade
do monóxido carburado.
Memórias estampadas
relíquias esquecidas...
Portões ao lusco-fusco que aguardam
jardins existentes inalcançáveis.
Ogivas pregadas no chão
apontadas, eternizadas e em
nome do medo. Interiores
decrépitos, erupção extraordinária
de comprimir e implodir!
Esquivam-se pelas escadas
e pelo pensamento, tudo o que se é,
no dióxido invertido!
Não mais conspurcar a esperança vã,
vá que olhos magnitudes
reflectem mesmo que não vejam.
As larvas também têm um
nome de outro nome de outro
nome... São cemitérios
andantes castelos de pedra
cinza...
Nada se pode contra o sol
e o céu que o protege!
Escutam-se ao longe os gritos
do palácio de luto.
sábado, 10 de outubro de 2015
Caminho para a chacina
No caminho para a chacina!
Os olhos alcatrão sufocante.
É sã a escuridão!
De pontos saíria toda a minha,
escrita, toda uma linguagem
imperceptível,... universal!
Pacientemente aguardadas
A vida extingue-se à beira
de um isqueiro!
Ruas de penumbra;...
Aqui o sol foi esquecido!
Lá se rezam as farsas
Não brotam assim as raízes,
os seus braços abandonados
às intempéries, à desolação,
aos acontecimentos e ao passar
do tempo em seu nome?!
De duas ou três graças
Que som tem a luz
na cegueira dos enterrados?!
A melancólica melodia
a acompanhar o acto,
a cerimónia!
Os sorrisos loucos
que não olham para trás,
agarrados à mandíbula,
colados à caveira, vislumbrados
nas orbitas vazias!
De duas ou três graças
lá se rezam as farsas,
pacientemente aguardadas
no caminho para a chacina!
sábado, 3 de outubro de 2015
Teias de aranha braille
Teias de aranha braille
tecidas nos ouvidos
no túnel fuziladas campas,
encostados a muros que se desfazem
a sangue evaporado em terra.
Os mortos, caem pela sarjeta.
Caem as cruzes, os cajados,
sobem solenemente às
portas da adoração...
Rosas esventradas nas pontas
das mãos.
Cérebros conspurcados;...
A inevitabilidade desabentuada.
Todo um quadro de horror
em bênção da imaculada Senhor!
Sombra corpo crux
na passadeira do céu...
... Uma adicção invisível...
As caveiras atravessam!
Ralados miolos quando falam
[
O cruel sabor do acontecimento!
Éons éons de devastação
]
As aves passam ao
peito
dedos de escuridão apontados
à servidão olhos.
Jardins magnéticos caídos
da boca para as janelas
Acordes de ressuscitação
no patinar das rodas
contra os carris; levitados
corações que faíscam nas linhas!
...
Os campos são de oiro
na imaginação dos ceifados
[
A monstruosidade dos braços
comidos para dentro.
]
Os quelhos na mão da escrita
Alucinadas abertas veias
em busca do padrão
esguichado
Teias de aranha braile
tecidas nos ouvidos
no túnel fuziladas campas
encostados a muros que se desfazem
a sangue evaporado em terra.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Lucem Ferre
Precisava de dormir
uma vida inteira
Sometimes
you have to c s h a v n g e
you skin
Estava capaz
de engolir
uma lâmina
mundo
Aparecem munidos
de invólucros
aprecio este gelo
noite deserto
A indiferença é tão
pequena luto
profundeza
A mola não é mais
que um vibrar de mim
próprio
Onde os arados
do tempo atracaram
os seus vis olhos
dedos
- Someday you will
lose the smile on your
face
O tempo
por vezes
vaia os semblantes
Não há miséria
maior do que
olhares - te para
além do espelho
viras as costas
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
... sem Ti...
... a minha cama sem ti é mármore...
... a minha cama sem ti é uma tumba...
um caixão onde me deito e me afundo...
os meus pulsos abertos o mar onde naufrago...
a misericórdia enterrada no meu coração...
os braços pendidos sobre o peito...
o abraço correntes sobre a terra batalhas derrotas sangue...
... a minha cama sem ti é mármore...
... a minha cama sem ti é uma tumba...
... sem Ti...
... sem Ti...
a minha vida...
... um cemitério...
e tudo o que a morte levou
sábado, 12 de setembro de 2015
Uns nos outros reflectidos corações partidos.
Uns nos outros reflectidos
corações partidos.
Campos de suícidio;
A valsa vala comum,
a nossa;
Decrépitos engelhados ao sol
na burocracia de um corpo
a envelhecer.
Praguejam as pedras, também,
cansadas de demoradamente
serem pisadas
enquanto o fémur roça
a anca e os trompetes
ao longe anunciam o apocalipse.
... Vai a morte cansada,
de foice às costas,
cospe no chão, apanha beatas,
não é bom freguês e diz palavrão...
Há inexactos momentos
que a fotografia fica desamparada
na retina e faísca eco no pensamento
de não absorvida, num trapo que já
foi papel...
Resvelam para o rio,
sobem as suas encostas,
mas para lá padecem,
os monos de ferro
bigornas mais finos;
Os trapézios enfeitam
a electricidade aranha, de vez a vez,
um ser movido que preenche
o vácuo que não sangra...
Não se espelha a sua desGraça,
não se encontra palavras,
em nenhum portulano,dicionário,
movimento,retina,foto grafia fugaz,
a celebração do forjar dos trompetes
em bigornas mais finas esqueletos,
facas que cortam por dentro
quando partidas, ceifa o furtar da luz
na inundação
de outros que reflictam
o seu coração...
O da Morte!
...Contaminados de espelho
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
Aquiles
Arde Tróia
Cogito ergo sum,
tu e tu, dia-a-dia,
espada justiceira
desaparece nessa neblina
gota a gota
e ir mais longe
construir todo um nevoeiro.
Ódin.
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
A menina que se suicidou que não queria cantar fado...
A menina que se suicidou
que não queria cantar fado...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
que não queria cantar fado...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
De muito cedo a obrigava a ir às tascas do fado... Em
horas incertas recordava o barco em chamas... Depois
... de há pouco tempo se te ter despedido...
... O lenço branco na sua mão..., Folando o ar das gaivotas...
Inertes no ar pairando às labaredas...
...
horas incertas recordava o barco em chamas... Depois
... de há pouco tempo se te ter despedido...
... O lenço branco na sua mão..., Folando o ar das gaivotas...
Inertes no ar pairando às labaredas...
...
Que nem seus ais
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
É fado as lajes da casa de banho onde
perdeu a voz e a vontade... A vontade
que não tinha de agradar o seu pai de cantar...
Cantar o fado...
...
perdeu a voz e a vontade... A vontade
que não tinha de agradar o seu pai de cantar...
Cantar o fado...
...
Que nem seus ais
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
enternecem a noite,
nem nasce o sol,
nem nasce o dia...
...
Quis o destino que uma fuga de gás, do paquete Camões,
para onde iria durante seis meses como copeira, ganhar
oito vezes o ordenado mínimo...
para onde iria durante seis meses como copeira, ganhar
oito vezes o ordenado mínimo...
...
De quem ficou de luto
e não amanhece
e a noite se entristece...
... Tão cedo...
Tão...
A morte forjou em vão.
...
...
De quem ficou de luto
e não amanhece
e a noite se entristece...
... Tão cedo...
Tão...
A morte forjou em vão.
...
...
No horizonte crepitavam as estrelas findas,
fogo artifício bureal só visto às portas do norte.
...
fogo artifício bureal só visto às portas do norte.
...
... Tão cedo a morte
a forjou em vão...
...
a forjou em vão...
...
Para não teres que te afundar como a tua mãe,
para que saúde não te falte...
Boa voz tens... Encantos desencantas a morte!!!
Fome não passarás e quem sabe,
encontrarás o teu fado!?...
...
para que saúde não te falte...
Boa voz tens... Encantos desencantas a morte!!!
Fome não passarás e quem sabe,
encontrarás o teu fado!?...
...
Nem amanhece
e nem a noite...
A noite se enternece!...
Tão cedo...
Tão...
A morte a forjou em vão.
...
e nem a noite...
A noite se enternece!...
Tão cedo...
Tão...
A morte a forjou em vão.
...
Na casa de banho
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
nas lajes do chão,
o sangue é negro...
E quem a chora...,
Ai...
Quem a chora.
Chora-a à porta,
chora no chão,
no travesseiro
a toda à hora...
Sem...
Sem perdão!....
...
A menina que se suicidou
que não queria cantar fado...
que não queria cantar fado...
O órfão de água!
Os movimentos precisos
de todos os nasceres do Sol!
Barcos de papel no rio
que queriam ser olhos... !
Terras e fogos.
O órfão de água!
O órfão de água...
de sal!
Espero não ser só mais
uma sepultura na tua cama,
um cemitério na tua mente.
A festa de animais :
- Comes connosco?!..
Se fura canos
mata-ratos!
As cruzes amanheceres
deslizam pelas suas
próprias lágrimas
de um céu sofrido...
Assim vou partir
um dia , eu sei,
em silhuetas cinzentas!
Todas as flores foram
pisadas e tornadas...
Carnívoras...
Até que o céu seja
criado muitas estrelas
terão sido mortas.
sábado, 18 de julho de 2015
Mater
O lenço que afinal era azul, verde
apanhado do chão,
na despedida, acenado
como um cão que foi abandonado...
Afinal é uma capa.
Quatro
Esfera
Esfera, tempo, viagem...
exterminados implacavelmente...
Nave espacial e o fundo do mar...
Esfera que reflecte só a sua vontade
que caiu no abismo de um tempo
que não era o seu.
Homens brancos de negro
que protegem crianças de um Apocalipse
solar com pedras e números
indecifráveis para muitos,...
não para continuar
uma raça, já de si, condenada,
mas para se salvarem a eles próprios...
Da espiral.
...
Do nascimento à morte,
estamos todos ligados.
Todas as nossas acções
definem o nosso destino!
mãe
madre
patrino äiti
mère mem
mutter anya
anna matre
mathair moeder
mother ano
manta matka
mater
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Ungodliness
Ungodliness!!!!!
MaldiÇado...
Elle est maldiÇado!
Yeah,yeah,yeah.
A pena é a extensão da minha mão...
bem que poderá ser almadiÇoada
a um céu que verte lágrimas em tinta!
O calor não tem calor dele próprio...
Assim se assustam as orlas ondas de magnéticas labaredas...
in visíveis...
Em vísceras.
Da língua brota a silenciosa tinta.
Apoquenta um papel imaculado almado.
Pés, as raízes do chão
para onde nos haveremos
de enterrar,novamente!
Metafórico esse perfeito momento...
terça-feira, 19 de maio de 2015
Amai-vos
Nada vos quero, Humanos...
Só a vossa materialidade Carne;
nem o tempo é meu amigo...
Por isso Amai-vos!!!
Três são vezes a três Marias
que ressoam
e cortam na aparência.
São treze
quando às lágrimas
evocam!!!
Os movimentos precisos
de todos os nasceres do sol!
Barcos de papel no rio
que queriam ser olhos!
Terras e fogos.
Se fura canos
mata-ratos!!!
As cruzes amanheceres
deslizam pelas suas
próprias lágrimas
de um céu sofrido!!!
Assim vou partir,
um dia, eu sei,
com silhuetas cinzentas!
Todas as flores foram
pisadas e tornadas
carnívoras.
Até que o céu seja
criado, muitas estrelas
terão sido mortas.
Vos quero nada, Humanos...
Nem o tempo é meu amigo...
Por isso... Amai-vos!!!
Amai-vos!!!
segunda-feira, 18 de maio de 2015
Ao Pulso Desorientado
Ao pulso desorientado
há agora um vermelho
ilustrado de chinês
e indiano que se quer casar
com vestes de morte...
Esquisos infernais japoneses
que não falam francês
nem tocam piano.
Ao pulso desorientado
está toda uma imagem
de eléctrico em carris
desgovernado sem freios...
Nem a força magnética
consegue pará-lo
A conjugação dos hífens
e dos ses no final
do tempo verbal.
Aqui onde tudo morre!
Numa mão fechada
de menino cheio de lembranças,...
triste...
A antecipar o pó
que haveria de ser limpo
e mal faria.
Tudo está limpo
Numa garrafa que se quebra
contra a tíbia
e a quem se chama...
Filho da Puta...
Ematoma!!!
Nada se pode...
Não lhe se saca o fim
nem a matricula;
ficam os desais e o gelo!
A lamentação
de ser menino
em fotografias, de punhos esmurrados
em silo a um telefone vermelho,
talvez dragão,
e a um entendimento sobre
a sua própria escrita
para um outro dia
A loucura à boca de um
rebanho sexuado por um latir;
um outro entendimento se a seus
olhos as palavras fossem
fotografadas... não mimadas...
Pendurados a cordas
de tango repousam em paredes
almofadadas de conhecimento
por abrir... Bolurentas....
Magnésios em esquinas
que suportam todos os oceanos
apontados a uma lupa
onde debaixo,
tudo é imperceptível.
Estou-lhes a dizer para não
me interromperem no meu ritual...
Pouco ou nada admira
quando aprendemos a ter medo
de nós próprios.
O saber animal
é muito mais humano!!!
I put a shit on you
because you are my cagar!!!
Os poetas morrem sem dinheiro
Os poetas morrem sem dinheiro
( no seu leito )
Suprime-se o Ministério da Cultura
e as cinzas vão parar ao Panteão...
Bela ovação aos que perecem sem um tostão!
Comam muitos cravos que faz
bem à flora intestinal
já que cortados estão
ou substituídos por cromos
colados ao peito não desfeitos.
...
Saem da nave. Põe
o capacete ao contrário?!
Os braços dos olhos onde o frio
acalenta por entre um oceano de pessoas
que cutelam o ar com os seus
movimentos inóspitos... Lâminas
centrífugadas de desespero.
domingo, 10 de maio de 2015
A Fada do Lago
Nem a gruas suportam
as lágrimas
nem toda a gravidade
dos mundos.
À Sophia... À Sophia
que já dizia que não
eram mornas nem fadadas
cinzas migalhas misturadas
um fogo verde à boca
às naus que repousam no mármore.
... E algo lhes liga as mãos...
Indenominado o bronze
em um quarto
a Fada do Lago ao anjo
com sexo!!
... A auréola ao pescoço!...
Só um beijo de uma sereia
pode salvar um marinheiro
de se afogar...
Não sabe o seu nome
a sal encrostado aos cantos
dos olhos de todas
as lágrimas confundidas num oceano...
E nele não se afaga...
Porquê Amor?! Porque
ainda ressoam os teus
lamentos nas horas badaladas?!
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Talvez respeitem as amarguradas águas de Abril
Talvez respeitem as amarguradas
águas de Abril...
Talvez respeites... sob debaixo
de um dorso indomável ,
assim, são de ausência e de pó
o que às portas do que ainda resta,
de quando me abandonaste num Inverno.
Tive tantos mestres...
Resta-me chorar-lhes as partidas
ao fundo da rua num reflexo negro
do rio, onde não se espelha o dia.
Esquece-me!
Todas essas lágrimas
foram dores de um parto
de uma sangrenta manhã amordaçada,
em que te vias em toda a luz singela,
de um parir de uma estrela donzelo!
Mas vá, esquece-me!
Esquece-me!
O romper das águas é mais atroz
assim que o vento se põe.
As lágrimas já não têm olhos,
nem morada... nem céu...
... De quando me abandonaste num Inverno...
Encravo o remorejar
da terra sem nome, sem promessas
num epitáfio a sangue que é o nosso!
Mas vá...
Ainda assim os pássaros
sabem de cor as cores dos equinócios.
Ainda assim despontam
fragilizados, encantados em os lamentos
de muitos crepúsculos por vir.
... Esquece-me.
Talvez respeites , assim,
as amarguradas
madrugadas de Abril
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