terça-feira, 5 de dezembro de 2017
O Rio Que Nos Separa
Cemitério de sombras
As sobrancelhas pestanejam
Ruínas
Os dedos sedentos de embriaguês
Sintetizados de terror
Olhares defuntos
Nos confins da escuridão
Meresias de asfalto tristeza
Não vens como o vento
Não há rebentação contra os troncos
O céu cobalto imutável
Um voraz rumor de silêncio
O frio invade como um bárbaro
Viro a lombada contra o vento
Não quero a poesia um barco
À deriva uma tempestade de folhas escarlate
Chovem bosques
Os olhos são de vidro
Séculos sentados à beira de prantos
Vê-me cair
Vê-me cair
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Suicídio
Esvai-se o teu rio
Perde-se ao longe o teu mar
O Outono para sempre se instalou
As memórias esvanescem-se
Têm a cor de sangue em copos
Esbatidos e lábios carimbados
Coleccionados
Corrosivas palavras
Com o limbo da noite
Tudo se preenche em prelongados suicídios
A centrífugadora magnífica
Um pote mágico ou varinha de condão
Um vagar contínuo lamento
A sua pele arrepia esbatida
No furtar da luz
Os corvos anunciam a aurora
E o crepúsculo incendeia os céus
Na apatia do revirar dos titânicos dias
Tu finalmente descansas
Eu para sempre amar-te-ei
Sem descanso incansavelmente
O meu desaperecimento
Veio como uma Graça
Cheira a corações queimados
Na insistência do Inverno
Atracam os destroços à porta
domingo, 12 de novembro de 2017
Ainda Não é a Tua Noite
Adoro estas comemorações
decrepitas do silêncio...
Enruga-nos o tempo,
O som a sua ilusão!
Um dia acordas
e ainda estás asfixiado
com o teu pensamento...
Cadáveres esquisitos
com que nos escreve
a luz do dia.
À entrada,
quase nos atropelam
por um lugar.
À saída,
para entrarem
por um lugar...
Afinal...
Quem é que quer
a cova primeiro?...
Quantas vezes se clama
à madeira
aos gritos ensurdecidos
pela terra?!
Esfíngicos os dedos
dos dias,
pelas gravuras
dos buracos das persianas
propagados...
Acariciam um cabelo
tombado e sussurram:
- ... ainda não é a tua noite...
Despida...
Como a vestir,...?
Ainda assim que a luz das
estrelas perecidas
sejam o seu próprio
consolo?!...
As lágrimas cristalizadas
na berma dos olhos,
guardam fósseis
de muito sangue
escorrido...
... As lâminas...
... Os teus olhos ausentes...
A lua inundou o teu
funeral!
... Sou eu, daqui a uns
anos... sentado a
meu lado... quando
já tudo tiver abandonado.
De momento, ainda
tenho um afia para
cortar as unhas...
As aparas, o pó
em unhas, quem sabe,
as pontas dos dedos
em carne viva
de tanto esgravatar
os dias...
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Anti Tempo
...
Vem o nome à boca
Sempre um semi-deus alado
Colateral...
Obtusos pensamentos
Dos deuses que nos cuidam.
Aquele virar esqueleto que sorri
Na deambulação da ironia
Estátuas sem coração
Debruçadas constantes carretas...
É simples o ritual...
Os olhos deloridos,
A sopa, o copo de vinho,
Submerso num vidro reflexo
O relógio que nos olha de fora.
A colher amedronta a Morte.
A perna senta-se sobre a fortuna
sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Acorda
Arde Lisboa em dilúvios!
As goteiras ao longe
parecem passos ao perto...
Um beco...
com saída...
uma tábua de engomar ensopada
dá acesso à eternidade,...
à secura...
...Portas emolduradas...
Olhares debruçam-se
sobre poças encadeadas
e sinais vermelhos demoram-se.
Uma donzela encantada:
- Acorda ! A... corda... !
terça-feira, 31 de outubro de 2017
Abecedário da Morte
Não tens o mesmo nome
Nem a palavra a mesma estrutura
É só um esqueleto gramatical desarticulado.
Um vácuo implode na ramificação
Da luz; é silêncio as suas paredes,
Um profundo grito que me incandeia
Por dentro
Reconhecer o meu corpo é uma
Ancestral aprendizagem
Nova linguagem,
Orfão na apneia da longura sacrificada
Que nem o vazio sabe, ofegante, soletrar.
Dissolvo-me em fumo,
Um Kurofone rumo,
A um horizonte longuínquo abissal.
Um lamento sobre quatro pernas
Pois, cresceram-me as pontas
De uma cruz nos braços
Com que sulco o vagar dos intermináveis
Outonais dias
Tecidos a cinzento, por vezes luminosos
Outros, nefastamente prantuosos.
Este é o caminho magnífico
Do esquecimento.
Aqui não se semeiam sepulturas
E os mortos são memórias bem vivas.
Fui aquele Prometeu
Que as sombras devorava...
Hoje não resta uma centelha,
Aquelas paredes a esponja,
Molas pneumáticas para a vibração
Do próprio grito que engole
Satisfeito o vácuo esqueleto,
Estrutura melancólica do teu nome
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Surreal Elipse Eterna
Procuro-te...
Entre prantos a reminiscência
gigantesca... Mas já não estás
ali, permanece um volume inexistente
sem fronteiras...
Parecem stropes, flashes
incandescentes quando te visualizo
sem qualquer física lembrança
cortado em memórias...
No chão não eram cinzas mas ossos
confundidos roídos
da matéria do tempo embriagado...
Ainda me arrepia o teu vulto,
um desalmado azul etéreo
nos desesperançados linhos da noite.
Sofrêga a respiração e o palpitar,
as sombras embutidas sem luto;
infímos nos ecos dos lábios
contra juntos magnificientes
criavam galáxias...
Retrocediam negros buracos
e extinguiam-se.
Aqui fez-se surreal elipse eterna
Outunais Criaturas
Chegou o Outono
com o seu frio sol,
estranhamente saem as criaturas
à procura de seu quente alento
enquanto pousam os olhos no alcatrão
que os absorve.
Abate-se a melancolia
ao primeiro vento,
no novo tecido que arrepia
na pele convexa.
Habitados ou fantasmas porque
todos são filhos de uma antiga
tristeza ou abandono,
nem que seja na projecção de vidros
ou lascas
de um enorme musgo amniótico
e os beijos rasos no lodo chão.
Traficasse a sobrevivência,
as folhas secas insistentemente
cansadas de sol!
À falta de sal, vertem-se
as lágrimas à bocapara uma hibernação interior.
Um velho e catatónico suspiro,
sábio na perseverança do desencontro
e o nevoeiro no coração...
Já nâo há bosques, somos dizimados
por essas entranhas estranhas,
Outras criaturas que se louvam de deus
ou deuses; tudo preenchem
com carcaças metálicas, solidão
e fogo.
Deus,...Não estão tão sós estes serafins?!
Todas as criaturas, sim
nessa orgásmica fatalidade.
Desordem
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Que corações dobram por nós?...
Momento.
... Desolado não sabe
que amanhã acabará
ao redobrar dos sinos.
Nobre existe limpo;
matinais ossos não
neste exercício esquisito
de contemplação. Alvo
na ressonância dos quartos.
Os olhos dormentes, insónios
de choro, insaciados por onde pousam.
A barriga segura a mão
com a seringa à não
derivação do bloqueio do sangue...
... tudo aprisionam impávidos
... tudo aceitam não ansiosos...
Será noite minha bela amada
Lisboa e não sei que me afundei
com a âncora
reflectido na admiração
de um deus irado...
Sobrepõem-se os funerais,
os dias de cada mais vezes ambulatórios
porque tudo são vozes
de anjos em coro,... no fundo.
As calcinadas rodas dos ventos
contra estas paredes invisíveis
e o preenchimento no esquecimento.
Na gentileza à cruz
porque afinal há ainda uma verdadeira
Humana preocupação quando
à vista se a carrega.
Zeus a Valhalla!
Afrodite Jesus..
E cegos os corações que dobrem agora por nós
terça-feira, 17 de outubro de 2017
Penumbra
São sepúlcros as estrelas quando ergo
os olhos ao céu.
Os passos, os pensamentos...
Um funeral em pompa majestoso.
Leva-me deste rio de lágrimas,
Penumbra...
As pessoas falecem e vão
como se estivessem de pé.
Quero as palavras para além,
à frente do declínio
da loucura ou tristeza
onde nada tarda ou arde.
Um bafo amargura
sem nós nem tendões
numa costelação preso
a molhar a pena
num coração seco
Hoje não haviam
nuvens,
o mundo ardia num mar
de labaredas azuis,
as sombras ascendiam
pelas pernas sem asas húmidas.
Respiro um coração cinzento
àvido de esquecimento.
O desamor é o motor deste mundo
moribundo.
Foi sonho, premonição
todas as estrelas mórbidas
receptáculos decadentes
implodidos de um buraco negro.
A indiferença tem farrapos
como candeeiros...
Fecho a navalha
Amanhece
E tu não morreste
domingo, 15 de outubro de 2017
Prantuoso Caminho
Não podes estar
habituado a algo
tão suave que te
possa matar !
Afogar-me no nevoeiro ! ...
um deus sem tempo ...
Ainda assim,
com todo o gelo ,
caminhei em prantos
sabendo que as minhas
lágrimas me poderiam
furar os olhos !
Elisabeth
O tempo aqui não passa
nem num único conforto de um cigarro
sem fumo.
O céu, pêndulo segundos presos
a outros céus que se acendem
fortuna do aniquilamento dos seus.
Nem tempo tempo há
para os sonhos,
a luz oprime no passar das horas
sinfonia, um umbral sobre
as infindáveis horas tragédias.
Caídos gritos de esperança
de uma citadela, não de uma cidade
alheia e os seus néons luminosos...
No cimo dos montes as naves ventoinhas
alimentam os ventos...
O desalento vive em mãos de ferro,
as súplicas entre-cortadas,
lapsos,
preenchem os corredores fantasmagóricos.
O sono não chega
nem os pesadelos.
Lá fora existe um espanta sonhos
magnetizado pelas estrelas...
... Nem o Outono...
Aqui somos radiografias
no esplendor ressonante do horizonte.
Manicómio de sombras aranha
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Espantalho
Os albatrozes trazem os primeiros
reflexos.
Ainda é só o primeiro estádio
da opressão arterial.
Nos corredores a demência
um interruptor alado,
batem as portas
e as escadas não estão minadas
de inteligência sensor.
... Ficam na retina os graves rostos
secos, verdes, brancos ou azuis...
Pérolas que abandonaram
os seus cadáveres.
Uma sensação de chuva
inunda-me os olhos,
antes de amanhecer...
Com liberdade a sal...
Os raios-x são janelas,
os ossos transportados peles sombras,
apoteose no sangue derramamento
e a morgue que nos espreita
no final da esquina.
Corrosivo e sem fita-adesiva
não se segura um coração
abalroado, toda a dança inconsciente
de um espantalho desarticulado.
As estrelas eram beijos gravidade num céu ao abandono
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
... O Amor... A Poesia...
As palavras não quebram
altares, não são como espadas,
na procura incessante da imperfeição,...
Uma Inatureza...
... Reflexos...
As marés vão altas,...
predominam as poeiras
de luas cheias ardidas.
Corações partidos,
almas devassadas...
Tudo passa num imediato
de um compasso que não marca.
... Somos mais que um aglomerado de memórias...
O único consolo...
O de erguer uma torre
em labaredas
que se sustente em prantos.
Com toda a
grotesca serenidade
dos astros, as palavras em sangue
ou em lágrimas... Ergue-te
Homem ou Desumano.
...
Nada me espera e vou
abandonando-me...
... O Amor
... a Poesia
sexta-feira, 18 de agosto de 2017
Morte Moribunda
A noite pôs-se a meu lado,
com o seu véu moribundo de morte
e de estrelas e sussurrou-me:
-... deito-me a teu lado com toda
a luz reflectida, com todos os gritos
de uma profundidade a ser percorrida...
... só para te dizer...
... só para te dizer...
... que. Até os astros
têm a sua dimensão desolada...
... que. Para além de ti
há noite num dia,
perscrutadas as lágrimas findas
nas rugas por onde a luz
não passou...
... para te dizer...
... só para te dizer...
que o fundo ainda não chegou
... para te dizer, só...
... eu pereço sozinha.
Solaris
Alto, quente, alheio,
Vazio. Fúnebre.
As lágrimas são a cera
Para um casulo vazio...
De tanto arder param.
Há imaginação de que se alimentam
As penas
( É rápido como caiem)
Num plano cinematográfico
De línguas mortas
Rodeado de pó defecado
Construído na nossa pele altar.
Como é que pode o mundo
Estar tão apedrejado de tristeza?!
Príncipe Desencantado
A minha princesa não é deste mundo.
Não vive num conto de fadas
Adormecida por uma maçã envenenada,
Não perdeu o sapato à meia-noite
Enquanto fugia encantada,
Disfarçada na sua pobreza.
A minha princesa é uma meretriz
Como eu, insaciada
Pela sensação, fio de cabelo
Deitado ao chão.
A minha princesa de encantada
Não tem nada,
É a devastação!
Fantasmas alheios equivocados
Que ainda não encontraram
Perdão!
... Suspiros horrendos...
... Palavras não ditas...
Corais funestos em bocas lábios
Suspensos...
Queres escutar a música
Minha querida?!
Escuta o mar
Príncipe desencantado...
É meu este abandono...
Esta ondulação
Apocalipse
Uma flor sem manhã
há importância do astro
com que se queda.
Não são uníssunos os palpitares
nem os anoiteceres.
À incandescência das veias reflectidas
propagadas.
Os meus olhos
são uma uma vela sem sombra de tempo
nesta tristeza sem forma
nem concepção.
As lágrimas transportadas
por carretas sem pavio...
Em contemplação
ainda se demoram as estrelas
e a noite.
Farrapos tecidos
ao alcance de todo
o abate...
Tão grande
nesta insignificância
ordeiros ofuscados no esquecimento.
Um tudo todo
azul como se fosse para sempre
asfixiado.
Uma visão apoteótica de destruição...
Uma beleza inconfundivelmente devastadora.
Perfeito Metafórico Momento
Adeuses!!!!!
A pena é a extensão da minha mão...
bem que poderá ser almadiçoada
a um céu que verte lágrimas em tinta!
O calor não tem calor dele próprio...
Assim se assustam as orlas ondas magnéticas labaredas...
in visíveis...
Em vísceras.
Da língua brota a silenciosa tinta.
Apoquenta um papel imaculado
Pés, as raízes do chão
para onde nos haveremos
de nos enterrar,
novamente!
Metafórico esse perfeito momento...
Nascimento
Ao princípio eram as cinzas
e esquecemos.
A noite e o dia
o amanhecer, as lágrimas
desaprisionadas, não habituadas,
orfãs.
Um rumor lá ao fundo longe
não distinto
alienados nesta rede de mel
e esquecemos...
Os prantos
Porque já eram parte de um todo
incompreensívelmente negro.
Impossíveis dos imãns onde o sol mercúrio,
nas sombras à janela
irrompia no chão destroços,
tão vagas asas desoladas...
E esquecemos...
Vulcânico é uma crosta,
o magma apazigua,
alforja a incandescência do sofrimento.
O palpitar do labirinto invertido
do Apocalipse esbatido contra o horizonte...
Não tem línguas nem catedrais
percursionadas pelo fogo...
E para a chuva diamante que alimente.
Esquecemos
Império de Tristeza
O Império da tristeza
o palácio de luto
os maestros da desarmonia
sombras obtusas prisioneiras
em frequência decadentes
Tudo passa com a monstruosidade
do ocaso
Acordar do desespero de acordar
e ainda vem longe a noite
Desaparece a carne no arrependimento
de andar
Crescem os abismos em volta
dos olhos
Sólida e concreta retorna a felicidade
não tem o mesmo peso a pegada
pisada suas vezes
De luto o palácio
e o império em ruínas
vestidos encarnados de morte
Nem a desolação é misantropa
...
Não é escrito na pedra o cansaço.
Que fim de outrem ressurrectos de nós
com veias que nos comem para dentro.
...
Profunda Penumbra
... É esta penumbra profunda...
Dizem que vinha de lá o céu
Quando para nos ocultar
as denominações das sombras
a esfera expira fotossintéticas
Banquete ao amanhecer
e a decadência electricidade.
Crepusculares Vibrações
Agora que não há sol
As portas tímidas
um estore desacontece
à nossa visão
respirar à corda ao pescoço
Crepusculares vibrações
Melancólicas misteriosas
Constantes insubordinadas
Metástases nocturnas
Somos já mortos
na indiferença
para além da luz.
Fado
Sei que ali está o rio
e que me espera para além
destas ameias de desoladas
visões escarpadas.
Contemplo o espelho partido
às minhas pernas,...
Assustada com a minha própria
sombra...
...
A caneta escorrega nas digitais.
Espantar o corpo contra
quando não há reflexo
O meu semblante é o rio.
As nuvens lá continuam
em queda às penas imaculadas.
Colapso
Uma seringa para o não esquecimento
labiríntico o devaneio
da luz
Beija a lua o adeus
onde estou
Cadavéricos o que nos contempla
no horizonte extinto das carnes.
Errantes colapsos
fazem às árvores sombra.
Vinte
Soaram as doze badaladas
e morro por dentro.
Bebo e brindo
lágrimas de desespero.
Toda a esperança em tons de derrota.
Toda a esperança morta melancolicamente.
Este é o dia em que os anjos não choram.
Este é o dia em que estão petrificados
espantados com magnânima tristeza.
Soaram as doze badaladas lentamente
continuam a ecoar pelas horas adiadas.
Toda a esperança em tons de derrota.
Toda a esperança morta melancolicamente.
Pendem-me as lágrimas e não caiem.
Queima-me a dilaceração interior.
Transponho a minha dor neste papel
e fica possuído, não absorvido.
Contra corrente.
Toda a esperança em tons de derrota.
Toda a esperança morta melancolicamente.
Este é o dia em que os anjos não choram.
Este é o dia em que estão petrificados
espantados com a minha tristeza.
Soaram as doze badaladas
e morro por dentro
Bebo e brindo
lágrimas de desespero...
Anti-Gravitacional
Nenhum fim é consolo.
A diferença dos vivos
que nos faz chorar.
Todos poentes
despidos e cuspidos
de madeira
e o que não nos enterra
escurece-nos.
É ao contrário
não se arrependem os
astros de errar.
Madalena
Quase enlouqueço
no epicentro do esquecimento.
Desumano
derrama em rama
a nocturna tristeza...
Vi-a aqui em todos os
anoiteceres, opúsculos
ultra-violetas.
Ninguém Te abandonou.
Abandonámo-nos aos nossos
desígnios.
A janela perpétua
ao caiar-te o olhar.
Uma Madalena fixa
no céu.
domingo, 23 de abril de 2017
Saturno
Há os que contemplam ainda o sol
obscuro, a face espelhada,
um profundo catatónico artificial
de estrelas distantes.
Os silêncios preenchidos,
imagens magníficas obturadas
de suspiros
ao passar.
O esquecimento é o fermento
na composição da atrocidade...
Apocalípticas elípticas deambulações
dos barcos que mergulham no horizonte
já sem velas.
As pessoas catástrofes misteriosas
exponenciadas a um coração lunar.
A falta de vocabulário,
a incompreensão das constelações...
dos dias e a noite.
Estranhos desígnios de planetas
mortos...
Com suas luas...
Seus anéis...
Aquele vestido e uma manhã de Primavera
Os lábios naquela manhã...
As mãos não conseguem ser escudo
para os ouvidos...
Ao invés deixaste as digitais
em cima dos livros
com que meticulosamente
fazias pensos para colar
as veias que rasgaste com o papel fino!!!
E é preciso uma certa subtileza para encarar a paz,
a pseudo paz que continua a chacinar,a massacrar,
a assassinar.
É aos olhos dos outros que me encontro
na guerra concretizada comigo próprio.
Genocídio de sentimentos...
Os olhos,vagarosos,
matam lentamente por onde passam...
são como os invólucros de balas,
cheios de ansiedade cinética de perfurar.
...A minha pele veste o que absorve...
sábado, 15 de abril de 2017
da madeira brota um fogo frio, apaziguado
Deste conforto magnético
Pétalas de pedra
Deserto crepuscular
metal fundente do sol a ir.
Esperam,
palete colorida
os ramos, as flores, os pássaros,
o eco da resposta na vibração
de águas antigas.
Um espécime centrífugo.
Caldeiras ininterruptas alimentam
o tempo
a foice da matéria fotografada
em pálpebras
no cerne das estações
o néctar sugado pelo chão.
Implodem nas veias
as palavras desoladas a branco
o rastilho condutor do sol a nascer
e o todo que fica à sombra.
As flores deixam de cair
e percorrer
abandonadas a seu destino...
A tinta nos dedos
a pingar...
Um algo de morte
a fazer-nos possível.
sábado, 25 de março de 2017
Sarcófagas horas
Veio o sol.
Esquecemos o frio que nos
assolou.
Catarse bombas de hidrogénio.
Mergulhados seguramos um extintor...
Razia aos pés cósmicos.
Um cronológico receio da lua
desaparecer
para tão poucos ramos
que as palavras voariam.
Labirintos de catástrofes
na implosão ao horizonte.
( Dançam os suspiros da ansiada
amada )
Muralhas deslizam para o rio
Naus funestas nuvens melancolia.
Arquitectura a sangue
transpirada
vãos onde a noite cai nua...
Tantas demoras e descamar
de céus ao atearem-se os incêndios...
Sarcófagas horas damas de ferro.
Primavera adiada
Não importa se é jardim que floresceu
ou um deserto onde todas as lágrimas
já caíram.
A morte é tão igual
ao respirar.
Uma bacia lava o semblante
com todos os espelhos partidos
pela manhã na arrogância
de pensar a pele.
À velocidade da gravidade...
... A cadência da cinza a espelhar-se...
Nada navega na escuridão.
Uma caneta segura a mandíbula,...
Às pálpebras estão presos os sonhos
rente aos pregos...
Perecem estações
ao caule das rosas cortadas...
Apalpar as pétalas caídas,
ainda hirtas, frescas,
alheias aos sepulcros cheios de penas.
Matrioska
Os dias cavam o musgo ao sol,
interpõem-se na promessa de chuva,
nos algeirozes por limpar.
Sonha-se o céu do céu.
A todas as nebulosas que nasçam
que aqui caiam.
Do vento à semente
a terra que não a encontra árida.
Tudo uma perfeita brincadeira
de quem fome não passa
e o universo como tecto o abriga.
Das palavras para nós,
aos outros, na fluidez da descontracção
e do desapego das veias.
Incrédula peneira dos sonhos...
Altivez ao toque nas pétalas por nascer
à palavra de ordem do desassossego.
Bomba armada sangra para dentro
Matrioska de sombras...
Lâminas lambuzam-se ao vento
... Estranhos campos magnéticos invioláveis...
A areia esguicha dos cronómetros inevitáveis...
Assim se criam os desertos.
Pétalas de pedra
Devias experimentar
os punhos contra uma parede,...
e a cabeça...
Um verso que nos engole
para dentro...
Espalmo uma orla de morcegos
contra o pulso. Será negro?
Será vermelho?...
No côncavo do ante-braço
há um vale de sepulcros
lavrado em lágrimas e saliva.
O coração palpita com
uma cadência doentia de estar vivo.
Estremece o chão por baixo
em rodas dentadas.
Pelos pulsos que se quebraram
não se demoram os olhos.
As mãos arderam no escuro caminho.
Um coração em pétalas...
...definha...
...caem...
Pena II
Aquele campo de rosas
nunca mais foi o mesmo
depois de o ter esventrado...
...
... Nunca mais foi...
... o mesmo antes
da última rosa cair à boca
da lâmina que empunhava...
... Aprendeu o seu nome
em silêncio...
... Todo aquele vermelho
em veludo pétalas. A subtracção
da luz ao sol
e ao céu ingerido no solo
Plutão...
...
À noite desarábica do ser
Noites e dias assassinos
No final de mais
um dia,
lá vem sempre o mesmo
infindável ensanguentado
caminho...
As estrelas lá nem
se reflectem...
Mergulho as minhas mãos,
tento lavar o meu rosto...
Não me apercebo
que é de lá a fonte,...
nos narcisos escondidos
atrás dos meus olhos.
...
Aproveito enquanto a escrita
é perceptível não alcoólica
e as palavras
não se afogam no papel.
... Há um vazio
entre as sombras e o ferro...
... Sentados os cadáveres.
... Um lodo
bigornas de enterridade!
Num interior
com paredes, chão e tecto
identificamos melhor a nossa solidão
nada comparada a um caixão...
Num interior
se faz a festa...
Poderia ser na chuva mas
no interior...
se faz a
chuva!
...
... Não quis ver o desespero das ruas
O estômago irrompe por dentro.
A mão em espátula vasculha-o
ou enterra-se por entre
as vértebras...
deixam
penetrar em lança...
- Só mais uma - disse-lhe-
só mais uma...
... uma só estaca no coração!...
Interroriedade
... A chuva não inverte; ...
não há caminho
de onde cai... !
... Disparados à espera...
Disparados à espera
no que não iam encontrar!
... Cada vez é mais longo o caminho
para aqui chegar...
E com a chuva limpo os
lábios...
Invólucros de miséria
esbatem-se sobre o chão
Os olhos não faiscam!
Inacreditável como só, agora,
acordaram no homicídio...
Não se fazem assim, hoje,
as noites e os dias
assassinos?!
Invólucro
As pedras brotam da língua com surpresa.
Melancólica erosão das borboletas.
O sol tão mais sol à velocidade com que se queda.
Arrancam-se as folhas da bruma da esperança
às invisíveis ondas nocturnas...
Naquele universo onde nada oxida
a poesia navega escura na maldição da pena.
Alicerces dos cemitérios a palavra escrita...
... O vagar com que tudo passa ao longe.
O desespero é no branco reflexo.
O fotograma respira sem negativo
interlúdio do casulo asfixiado à luz...
Tão animal como o assassino
a natureza sem mural,
uma estrada de gritos sem saída...
Para onde nos leva este mercúrio que não explode?
Sombras emprestadas de volumes alheios,
as lágrimas cravaram-nos nas órbitas
nascentes de sofrimento oposto ao Inferno.
Mercúrio
Um íman que se fecha na mão.
Nada morre!
Andar atroz para o cemitério,
o chão vão
da poeira...
Um relógio que não pode ver o sol.
Evolução da melancolia
na maravilhosa imperfeição...
Céu sem isolamento;
Tédio longínquo
no escrutínio do ar que se respira...
Na voz da dor silenciada
lágrimas sem gravidade.
Lembrar os vivos!
o desamor que não levamos para a cova.
Passa um mundo por nós
geocêntrico,
um tique intervalado,
curiosidade díspar
na elipse do sol a percorrer
as sombras.
Tudo instantes de noite mal dormidas
e a escrita que nem se reconhece
nos sonhos.
Os vultos pairam nos mecanismos
desumanos,
o desamor que não levamos
para a cova.
Misantropos, os olhos vagos,
no cerne do verão.
traços a contra baixo
na volátil escuridão.
Mais do mesmo o que nos veste.
No apressado avançar, franzir,
os olhos e as ondas evaporadas
no fundo da calçada, esvair.
De sangue, a noite
uma sinistra descoberta
abaixo de zero no termómetro
de atmosfera sombria...
Senão é loucura o que se passa
sob o sol,
será nascimento apoteótico
de outro espaço que passará
para além.
Procurar no desencanto a esperança
de viver,
reinventar a morte adiada...
... Ajudem a alimentar um deus.
Bronze por fora, glaciar por dentro.
São mais puras as águas paradas
do que beber na desgraça.
Um destino incolor pálpebras
num deserto interior.
Um céu sobre um véu sol branco
Era de dia ou era de noite.
Bronze por fora, glaciar por dentro.
As palavras...
Catacumbas gritos
nas desoladas amplitudes abissais.
Mais perto da foice
de janela aberta.
Naufrágio na contemplação das sombras...
Ao pendurão no portulano, a mão.
À sina torna-se uma praga, um imenso...
Anuncia os ventres e os ventos
não drenados
os centímetros para a morte.
Boquet que se esvai
contra a espuma do espelho
- nós não estamos a fazer um produto!
As veias que estão no Apocalipse
as sombrancelhas são do tamanho de terramotos.
A que a nada nos reserva,...
Seio de pedra
para amamentações
de mármore.
Os dias
o tempo... Deixaram
de conhecer o sabor
dos segundos
É importante
guardar as mortalhas
Uma sensibilidade
atroz ao escuro
Musgo nevoeiro
feroz
desolado de oxidação
A morte que vemos erecta
O rio que come o horizonte
ao longe,
a terra.
A que a nada nos reserva,...
os olhos
Parecia preto à sombra...
Não há inspiração
nos tragos de vinho
ingeridos na calma citadina antiga.
Nos ecos das vozes desconhecidas
que passam electrificadas,
no ranger das portas e dos seus
estranhos habitantes...
Um pássaro na mão... quem já
não os teve?
Soluça a curiosidade sempre
ao virar da esquina quando
o rio espreita e a lua desponta
com os seus braços prateados,
abandonados à mercê das marés.
Parecia preto à sombra...
Corre apressado o tempo a sangue
e as vozes melancólicas na meresia,
sufocadas contra as suas próprias
paredes invisíveis.
Tudo será mofo
de uma estrela que morre ao longe
ingénua.
Carregados com as cadeiras,
para um lugar qualquer,
entre e entre parêntesis,
ninguém nos obriga a mudar de linha,
a viagem cega pelos corredores
das algas ressonantes,...
Anunciadas as cinzas
na rebentação...
Um grito num rosto
que nem de lá no fundo se ouve...
Um macabro rasgo
de escuridão.
Um corpo que se cobre
de noite rio.
Negras espirais dimensões
Caveiras vazias
Cheias de vida
Anatomia dos sonhos,
descomposição das sombras.
( Crianças digitais )
Um reflexo que se olha
e não se mexe...
O desconforto contorno
da luz
Tudo morre num eco.
O vinho nos dedos
e o Outono sabor à boca.
A areia vermelha em marcha
no passadiço do matadouro.
Uma fotografia, estáctica,
atirada de encontro
às palavras.
É um vácuo murmurio
que vem do horizonte
quando olho o rio.
É noite
nesta época de máquinas.
Apagam-se as luzes.
A viagem acabou.
Viemos dar às trincheiras
bombardeadas...
Nada de interesse neste campo
que não seja a morte...
, Mesmo que não haja guerra.
Negras espirais dimensões
Deserto Crepuscular
Ao longo vale lá escuro
que tudo absorve num puro
encanto, por ali paro
e param as nuvens, as estrelas;
na primeira pessoa
aos cruzamentos sobrepostos,
toda a angústia num portal
ponto para onde tudo desvanece.
Aqui escrevo cartas
e olho o horizonte
e não há pérolas querido Al Berto.
Há calçadas e pedras
e o dominó do pé coxinho.
Estes são os panos das velas
e o meu século.
Toda esta calma com que nos
cresce desertos no coração.
Itinerário do coração frio
Matança de dias esquisitos...
Tudo o que nos adivinha a pele
combustão inercial inútil e o arder
das velas nos tampos das mesas,
a cera que escreve o nome dos séculos
o respirar indescritível da escuridão
a galopar invisivelmente para dentro
sem morfologia.
Passar a mão sobre
sossegar o abismo pelo dorso.
Os ecos vagam absolutos
mergulhado o semblante em expira ais.
Mórbida a deslocação
com que tudo passa.
O nevoeiro melancólico
na heresia de enfrentar os dias.
Itinerário do coração frio
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